Allan Julianelli: Segurança Digital

Brasil registra 8 mil tentativas de fraude por minuto, segundo Valor Investe

Inserido em 3 de fevereiro de 2025
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Em um mundo digital cada vez mais complexo, é fundamental que todos estejam informados sobre como se proteger de fraudes, ataques de phishing e outras ameaças on-line.

O Brasil enfrenta uma alarmante taxa de 8 mil tentativas de fraude por minuto, conforme levantamento realizado pelo jornal Valor Investe. Em meio a centenas de golpes financeiros já conhecidos, novos esquemas surgem diariamente, contudo, apresentam traços comuns que podem ser facilmente identificados.

Em resposta a essa crescente ameaça, abordaremos, de forma suscinta e em linguagem acessível ao leigo em tecnologia, os golpes mais frequentes e ofereceremos dicas valiosas para que você possa se proteger desses cibercriminosos.

Nesse primeiro contato falaremos do golpe mais comum, que é o do WhatsApp “clonado”.

A maioria dos golpes perpetrados nos meios virtuais (cerca de 80%) envolve o que conhecemos como engenharia social. O criminoso cibernético usa uma tática para manipular pessoas a revelarem informações confidenciais ou realizarem certas ações. Eles exploram a confiança, medo ou curiosidade das vítimas (as vezes a ambição), usando métodos como phishing (e-mails falsos que parecem legítimos), pretexting (criação de cenários falsos para obter dados) e baiting (oferta de algo atraente para induzir a vítima a baixar malware). Em resumo, eles enganam as pessoas para que elas mesmas entreguem as chaves de sua segurança. Nesse contexto, não há qualquer tecnologia hacker envolvida na ação.

No golpe do WhatsApp “clonado”, o criminoso se passa por uma pessoa próxima da vítima e solicita uma vantagem indevida. A abordagem é quase sempre a mesma: o golpista captura a foto de um ente querido ou de um amigo, geralmente em grupos de WhatsApp ou em redes sociais, ou mesmo de uma vítima de WhatsApp capturado, e, no primeiro contato, informa para a vítima que alterou o número do seu celular. Em seguida, alega que precisa realizar um pagamento, mas que atingiu o limite de transações do dia ou outro problema técnico qualquer, pedindo à vítima que realize o referido o pagamento, prometendo devolver o dinheiro no dia seguinte.

A vítima acreditando estar ajudando um ente ou amigo querido acaba por realizar a transação.

Sob nenhuma circunstância realize a operação sem antes confirmar com a pessoa que solicitou os valores. Entre em contato imediatamente com o número conhecido do solicitante e verifique se o pedido é legítimo ou se trata de uma fraude.

Não confie em mensagens de voz, pois há IAs (Inteligências Artificiais) capazes de clonar a voz humana com facilidade. Uma simples ligação pode evitar grandes prejuízos.

Há situações em que o cibercriminoso consegue capturar o número verdadeiro de WhatsApp da pessoa que faz contato com a vítima. Nesses casos, uma chamada telefônica também resolve. Fique atento e faça a ligação pelo telefone (voz), e não pelo WhatsApp (VoIP – voz sobre IP), pois nesta última hipótese a chamada será direcionada para o criminoso que capturou o WhatsApp da pessoa que entrou em contato com a vítima.

Em nossa próxima abordagem, explicaremos como funciona a captura do número de WhatsApp e como se prevenir contra essa fraude.

Allan Julianelli é gerente de TI da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro desde 1998 e policial civil do Estado do Rio de Janeiro desde 2002.

allan.julianelli@amperj.org