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Blaufränkisch: a tinta da Europa Central

Inserido em 26 de agosto de 2026
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Por Carlos Bernardo Alves Aarão Reis

Entre Áustria e Hungria, uma uva que revela história e grande capacidade de expressão do terroir

O mundo do vinho encanta justamente por sua capacidade permanente de revelar novas uvas, regiões e tradições. Em uma viagem recente pela Europa Central, minha expectativa inicial era explorar sobretudo os brancos emblemáticos da Hungria e da Áustria — com as uvas Furmint e Grüner Veltliner. No entanto, acabei por descobrir uma excelente uva: a Blaufränkisch, conhecida na Hungria como Kékfrankos e, na Alemanha, como Lemberger.

Tradicional da Europa Central, a Blaufränkisch tem origem provável na região da Dalmácia, que era parte do extinto Império Austro-Húngaro, e descende da cepa Gouais Blanc, segundo estudos de DNA. O termo Fränkisch, usado desde a Idade Média, designava variedades consideradas superiores às do grupo Heunisch. A multiplicidade de nomes — Kékfrankos, Lemberger, Frankovka Modrá, Burgund Mare, entre outros — revela sua ampla circulação histórica por diferentes países europeus.

No vinhedo, é uma casta vigorosa, de brotamento precoce e maturação tardia, exigindo controle de rendimento, boa insolação e verões longos e secos. Também demanda atenção contra doenças fúngicas, como míldio e oídio. Na taça, costuma apresentar acidez elevada, taninos médios a médios (+), frutas pretas, cereja, amora, notas apimentadas e especiarias. Conforme o terroir e a vinificação, pode gerar desde vinhos leves, frescos e frutados até exemplares profundos, estruturados e longevos, especialmente quando amadurecidos em barricas de carvalho.

Na Áustria, é a segunda uva tinta mais plantada, atrás apenas da Zweigelt, e encontra em Burgenland suas expressões mais importantes, sobretudo nas apelações de Mittelburgenland, Neusiedlersee, Leithaberg e Eisenberg.

Na Hungria, como Kékfrankos, é uma das tintas centrais do país e participa de cortes com Merlot, Cabernet Sauvignon e outras variedades. É também a espinha dorsal do Egri Bikavér, o tradicional “Sangue de Touro de Eger”. Além de Eger, destaca-se em Kunság, Sopron, Villány e Tolna. A proximidade entre Sopron e Burgenland ilustra bem a vocação transfronteiriça da casta, reforçada por produtores que trabalham vinhedos dos dois lados da fronteira.

A variedade também está presente na Alemanha, especialmente em Württemberg, onde tende a originar vinhos mais frutados e menos encorpados; na Eslováquia, como Frankovka Modrá; e ainda na Croácia, Romênia, Itália, Bulgária, República Tcheca e Sérvia. Fora da Europa, há plantios pontuais no Canadá e nos Estados Unidos, geralmente com menor expressão comercial.

Sua relevância vai além dos vinhos que produz: a Blaufränkisch é genitora de variedades como Zweigelt, Acolon, Cabernet Mitos e Cabernet Cubin. Recentemente, produtores de vários países formaram a iniciativa “United Nations of Blaufränkisch”, celebrando a cepa como elo cultural entre regiões da Europa Central.

Uma nova e especial descoberta! Zum Wohl! Egészségedre!

Leia a íntegra do artigo de Carlos Bernardo Alves Aarão Reis.