A promotora de Justiça Cristiane Pereira, coordenadora do Grupo de Apoio Técnico Especializado (GATE) do Ministério Público do Rio de Janeiro, afirmou no “Amperj Convida” que o uso crescente de inteligência artificial tem agilizado o trabalho do Gate (…). “Atividades que levavam dois ou três meses passaram, em determinados casos, a ser realizadas em uma ou duas semanas”, afirmou.
Titular de uma Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Saúde, em Nova Iguaçu, Cristiane contou à apresentadora Heloísa Carpena que há, atualmente, cerca de 85 profissionais, com 21 formações diferentes, no GATE. Eles são distribuídos em sete núcleos técnicos e ficam responsáveis por 31 temas, atuando em investigações que exigem conhecimentos além da formação jurídica. São engenheiros, arquitetos, geólogos, assistentes sociais e muito mais.
Entre os principais trabalhos desenvolvidos pelo grupo estão as análises relacionadas à economicidade de obras públicas, contratações e políticas públicas de saúde. De acordo com Cristiane, cerca de 60% das demandas recebidas pelo GATE são relacionadas à análise de sobrepreço e superfaturamento em contratações públicas. Ao longo dos últimos quatro ou cinco anos, o grupo produziu, em média, 1.400 a 1.500 documentos técnicos por ano.
Um dos destaques do podcast foi uma discussão sobre o uso de IA no GATE. Cristiane explicou que ferramentas tecnológicas já são utilizadas para automatizar tarefas repetitivas, como análises comparativas de preços e buscas em documentos técnicos. “A tecnologia vem sendo utilizada na revisão dos documentos produzidos pelo grupo, com apoio do Copilot.”
Apesar dos avanços tecnológicos, a promotora ressaltou a importância da confiabilidade das informações e do uso de ferramentas institucionais. Para Cristiane, a inteligência artificial é um desafio para o setor público, mas também uma oportunidade de ampliar a capacidade de resposta do Ministério Público, sobretudo por reduzir o tempo dedicado a atividades repetitivas e permitir que os profissionais concentrem esforços em análises mais complexas.
A entrevista também abordou as parcerias firmadas pelo Ministério Público com universidades e instituições científicas, como Fiocruz, UFRJ e UFRRJ. A proposta é ampliar a capacidade de enfrentamento de questões complexas, como desastres socioambientais e o tratamento de chorume, aproximando a atuação do MP da produção acadêmica e científica. Outro aspecto tratado no episódio foi o fluxo de recebimento dos pedidos de apoio pelo GATE, assim como os critérios adotados no tratamento de informações sigilosas.
O episódio está disponível no canal do “Amperj Convida” no YouTube e no Spotify.