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Patricia Carvão: Primeiro filme dirigido por Scarlett Johansson é dica do final de semana

Inserido em 3 de julho de 2026
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Recentemente, assisti a um filme muito delicado, chamado “A Incrível Eleanor”. Primeiro trabalho de direção da atriz – e agora diretora – Scarlett Johansson, o longa-metragem acompanha Eleanor, uma senhora de 94 anos que, após a morte de sua melhor amiga, se muda para morar com a filha e conhece uma jovem estudante de jornalismo, com quem cria uma inesperada amizade. A partir desse convívio, a narrativa reflete sobre luto, solidão e a capacidade que os vínculos humanos têm de transformar completamente nossas vidas.

O que mais me chamou atenção foi a forma como o filme apresentou as diferentes maneiras de se vivenciar o luto – uma experiência profundamente individual. Enquanto a perda tende a nos empurrar para o isolamento, Eleanor sugere que compartilhar a dor e criar novos laços pode tornar essa travessia mais leve.

Também é um filme sobre a solidão da velhice e a sensação de incompreensão e não pertencimento que muitas vezes acompanha a juventude. No fundo, a obra aborda sentimentos universais e a importância dos encontros que a vida nos proporciona, mesmo quando eles não terminam da forma que imaginávamos. “A Incrível Eleanor” nos lembra da força das amizades e da esperança que pode surgir mesmo em meio às perdas. Há diálogos bonitos e acima de tudo nos mostra o poder do afeto. Disponível na HBO MAX.

Margô está em apuros

Vamos seguir com uma dica de uma série que adorei assistir. Eu já estava de olho em “Margô está em apuros” há tempos, mas sempre acabava deixando para depois. Foi uma recomendação de uma amiga, e a surpresa foi muito positiva! O trabalho dos atores é excelente, mas é principalmente a dinâmica familiar da trama que dá profundidade à história.

A série acompanha Margô, uma jovem no início da faculdade que engravida de um professor de literatura. Inicialmente, ele tenta convencê-la a não seguir com a gestação, mas Margô vive a descoberta da gravidez de uma maneira inesperada: ela se sente feliz e empoderada com a possibilidade de ser mãe – e decide ter o filho. Essa escolha também estabelece um paralelo importante com a história de sua própria mãe, interpretada por Michelle Pfeiffer, que também engravidou muito jovem, sem estar em um relacionamento estruturado.

Os episódios acompanham as angústias e transformações da futura mãe. Ela precisa lidar com a passagem repentina para a maternidade, com as responsabilidades, os medos e os desafios práticos que vêm com ela. Quando o pai biológico da criança se recusa a reconhecer o filho e a contribuir financeiramente, Margô se vê diante de uma questão concreta: como sustentar uma criança pequena e, ao mesmo tempo, construir sua própria vida?

É nesse contexto que surge a possibilidade de trabalhar no OnlyFans, uma plataforma online de produção de conteúdo adulto. A série, porém, parece menos interessada em condenar ou justificar essa decisão e mais em mostrar a complexidade da realidade de uma jovem mãe tentando encontrar caminhos para criar seu filho.

Um dos pontos mais fortes da produção está justamente na desconstrução da ideia de que uma criança só pode crescer bem dentro de uma família considerada “perfeita” ou totalmente estruturada. A família de Margô, é real, cheia de contradições e conflitos, mas é, ao mesmo tempo, um porto seguro. A série é um misto de drama com comédia alto astral, e possui uma trilha sonora ótima. Disponível na Apple TV. Vale muito conferir!

Risa e o telefone de vento

Caso você goste do cinema argentino e esteja disposto(a) a acompanhar uma história delicada, poética e repleta de significados, vale a pena conferir essa produção que chegou na Netflix: “Risa e o telefone de vento”. O filme acompanha Risa, uma menina que cresce acreditando que seu pai morreu, conforme lhe contou sua mãe. Em sua cidade existe uma antiga cabine telefônica cercada por uma crença peculiar: as pessoas acreditam que, por meio dela, podem se comunicar com familiares e amigos que já partiram. Muitas dessas perdas estão ligadas a um grande incêndio que marcou a história da cidade.

É nesse cenário que Risa inicia sua própria busca. Desejando falar com o pai que nunca conheceu verdadeiramente, ela se aproxima do misterioso telefone e, aos poucos, a narrativa vai revelando muito mais do que uma simples tentativa de contato com alguém ausente. O filme utiliza a fantasia e a metáfora para falar sobre temas como luto, memória, segredos familiares, perdão e amadurecimento.

O telefone ao vento funciona como um símbolo poderoso. Mais do que permitir uma comunicação com os mortos, ele parece oferecer aos vivos a oportunidade de dizer aquilo que ficou guardado, de ressignificar dores e de seguir adiante. As mensagens transmitidas pelos que partiram são, em geral, mensagens de afeto, reconciliação e esperança.

Ao longo da trama, acompanhamos o crescimento de Risa, marcado por descobertas nem sempre fáceis e por sofrimentos que fazem parte do processo de construção de nossa identidade. A jornada da menina é emocionante e nos mostra que crescer implica conviver com dúvidas, perdas e verdades difíceis, mas também aprender a seguir em frente.

O filme é, acima de tudo, um convite a valorizar o tempo que temos, os afetos que construímos e as pessoas que queremos ter por perto.

Criaturas extraordinariamente brilhantes

Para terminar a coluna, trago o filme “Criaturas extraordinariamente brilhantes”, tmbém disponível na Netflix. Muitas vezes, o que define se gostamos ou não de um filme não está apenas na qualidade da obra em si, mas no estado de espírito em que nos encontramos ao assisti-la. Algumas histórias dialogam melhor com determinados momentos da nossa vida, e acredito que esse seja o caso deste título.

Trata-se de um filme de tom leve e fantasioso, que aborda sentimentos por meio de uma narrativa metafórica. A história acompanha uma mulher solitária, interpretada por Sally Field, que trabalha na limpeza de um aquário. Entre os animais que vivem ali está um polvo, com quem ela estabelece uma relação peculiar. Inicialmente, ela conversa com ele como uma forma de aliviar sua própria solidão, mas, aos poucos, o filme constrói uma reciprocidade ficcional, na qual o animal também parece encontrar maneiras de se comunicar com ela.

A beleza do filme está justamente nessa capacidade de falar sobre afeto, conexão e pertencimento através de uma linguagem simbólica. Ao assisti-lo, lembrei-me de outro trabalho que também explora a relação entre humanos e polvos: o documentário “Professor Polvo”. Ambos os filmes, cada um à sua maneira, refletem sobre a sensibilidade presente no encontro entre espécies diferentes.

Outra obra que me veio à mente foi “A forma da água”. Assim como em “Criaturas extraordinariamente brilhantes”, há ali uma delicada mistura entre realidade e fantasia. São filmes que exigem certa disposição para embarcar em uma narrativa simbólica, menos preocupada com a verossimilhança e mais interessada em explorar emoções e significados.

Por isso, acredito que seja um filme ideal para ser assistido em um momento em que se busca algo mais leve, capaz de proporcionar distração e acolhimento. Talvez funcione melhor em um dia em que o olhar esteja mais aberto ao encantamento, à imaginação e a uma visão mais romântica da vida. No fim das contas, “Criaturas extraordinariamente brilhantes” cumpre bem aquilo a que se propõe: entretém, emociona e transmite uma mensagem bonita. Mas é preciso estar disposto a “embarcar” na proposta.

Bom final de semana. Um abraço com afeto e carinho, combustíveis da vida!