Mais de 30 associados participaram de uma palestra do GT Rosa Carneiro sobre as transformações sociais dos quadros do Ministério Público na sexta-feira (8). A atividade foi conduzida pela professora Ludmila Ribeiro, da Universidade Federal de Minas Gerais. Doutora em Sociologia e coautora do estudo “Quem são e o que pensam os(as) integrantes do Ministério Público no Brasil?”, publicado no ano passado, ela abordou as principais mudanças de perfil dos promotores e procuradores de Justiça nos últimos 10 anos, destacando questões de diversidade e opiniões sobre democracia e direitos humanos.
A pauta do encontro foi baseada no cruzamento entre os dados do levantamento de 2025 e as informações do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes, que fez uma pesquisa semelhante em 2015. Ludmila apresentou reflexões a partir de estudos que analisam a atuação e a percepção dos membros do Ministério Público brasileiro sobre diferentes temas institucionais. As pesquisas utilizaram metodologias baseadas em entrevistas e questionários aplicados diretamente aos integrantes da carreira, buscando compreender como os membros do MP enxergam questões relacionadas à democracia, aos direitos humanos e ao funcionamento da própria instituição.
A palestra destacou a diferenciação do número de mulheres que têm acesso à graduação e demais degraus educacionais dentro do Ministério Público brasileiro, além da questão étnico-racial. Ludmila enfatizou a persistência de uma desigualdade racial dentro do Ministério Público brasileiro, mostrando que a instituição segue majoritariamente branca. Segundo os levantamentos apresentados pela pesquisadora, aproximadamente 80% dos membros se autodeclaram brancos. O dado motivou discussões sobre diversidade e representatividade no âmago da instituição.
“Em dez anos, observamos mudanças importantes, especialmente com a maior entrada de mulheres na instituição. Eu trouxe para vocês, em primeira mão, um panorama de como esse contexto mudou ao longo desse período, independentemente das características ou do perfil de cada integrante”, afirmou Ludmila Ribeiro. “A ideia foi mostrar um pouco do que se transformou no Ministério Público, tanto em termos de perfil quanto de prioridades. Espero que seja o primeiro de muitos outros bate-papos e que possamos continuar esta conversa.”
Coordenadora do GT Rosa Carneiro, a procuradora Eliane Pereira ressaltou a importância de promover reflexões internas sobre o Ministério Público e sua missão constitucional. “As informações apresentadas nos abrem diversas possibilidades e questionamentos. Todos aqui temos o propósito de construir uma instituição mais diversa e acessível”, disse