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Alerta de Segurança: cresce o ‘Golpe do Falso Médico’; Conheça estratégias de proteção

Inserido em 26 de outubro de 2026
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A vulnerabilidade emocional de familiares com entes queridos internados tem se tornado um dos principais alvos de quadrilhas especializadas em fraudes digitais e telefônicas no Brasil. Conhecido popularmente como o “golpe do falso médico” ou “golpe do hospital”, o esquema criminoso explora o medo, a urgência e a desinformação para extorquir somas expressivas de dinheiro das vítimas. Diante da alta recorrência desse tipo de crime, instituições de saúde, órgãos de defesa do consumidor e agências de checagem intensificaram os alertas para orientar a população sobre como identificar as abordagens fraudulentas e se proteger.

A dinâmica do golpe consiste essencialmente na simulação de atendimento médico por parte de criminosos que se passam por médicos, enfermeiros ou outros colaboradores de hospitais públicos e privados. Os golpistas entram em contato com as vítimas — geralmente por ligações telefônicas ou mensagens de texto via WhatsApp —, informando sobre uma suposta e repentina complicação no quadro clínico de um paciente internado. Sob o pretexto de que o procedimento de urgência, o medicamento especializado ou o exame complementar não seriam cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou pelo plano de saúde, os criminosos exigem transferências financeiras imediatas, normalmente via Pix.

Em investigações conduzidas recentemente pela Polícia Civil em municípios como Santa Bárbara d’Oeste (SP), constatou-se que as quadrilhas chegam a recolher dados prévios sobre os pacientes para conferir veracidade à farsa. Além disso, em casos relatados por instituições como o Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, os fraudadores chegam a ir presencialmente às residências das vítimas para tentar recolher dinheiro em espécie, cartões de crédito ou débito.

2. A Origem dos Dados: Vazamentos e Fragilidades de Segurança

Um dos aspectos mais alarmantes investigados pelo Projeto Comprova envolve a precisão das informações utilizadas pelos criminosos. Para manipular as famílias, os estelionatários citam dados confidenciais reais, como o nome completo do paciente, o CPF, o histórico médico e o setor hospitalar onde a pessoa se encontra acamada.

De acordo com o painel de monitoramento da Coordenação-Geral de Incidentes de Segurança da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), foram registradas dezenas de comunicações formais de incidentes de segurança no setor de saúde brasileiro. As principais falhas apontadas englobam:

– Roubo de credenciais e engenharia social: uso indevido de senhas de funcionários por meio de fraudes ou compartilhamentos inadequados.
– Acessos e compartilhamentos não autorizados: situações em que profissionais com acesso legítimo aos sistemas repassam dados sem justificativa técnica ou legal.
– Vulnerabilidades de software: falhas estruturais nos sistemas de informática das instituições de saúde.

Especialistas e entidades como a Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp) ressaltam que, embora o setor privado concentre a maior parte dos registros de incidentes tecnológicos, a proteção de dados também exige cautela dos pacientes, que devem zelar pelo descarte correto de documentos de identificação hospitalar e evitar o compartilhamento excessivo de informações pessoais.

Reconhecer os indícios de uma fraude pode evitar prejuízos financeiros severos. Atente para as principais regras basilares de segurança:

1. Hospitais não cobram por telefone: nenhuma instituição de saúde pública ou privada exige pagamentos, depósitos ou transferências emergenciais por meio de ligações telefônicas ou aplicativos de mensagens.
2. Atenção ao favorecido: solicitações de Pix ou depósitos direcionados a contas de pessoas físicas (CPFs), em vez da razão social (CNPJ) do hospital, constituem indício inequívoco de golpe.
3. Cuidado com a pressão psicológica: os criminosos costumam usar tom alarmista, alegando risco iminente de morte ou cancelamento de cirurgias para forçar a vítima a pagar sem checar os fatos.
4. Verificação independente: em caso de dúvida, o familiar nunca deve retornar a ligação para o número que efetuou o contato. Recomenda-se ir diretamente à recepção do hospital ou utilizar os canais oficiais divulgados em sites institucionais e folhetos informativos. Setores como o Serviço Social ou a Ouvidoria das instituições também estão aptos a prestar esclarecimentos.

Grandes redes de saúde, como o Hospital Israelita Albert Einstein (SP) e o Hospital Moinhos de Vento (RS), reforçam publicamente que não realizam negociações financeiras por via telefônica e mantêm canais restritos e seguros de comunicação com os responsáveis pelos pacientes.

Caso um cidadão caia no golpe, o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) aponta que é possível pleitear a reparação dos danos materiais. Sob a ótica do Código de Defesa do Consumidor (artigo 14), hospitais e operadoras de planos de saúde possuem responsabilidade objetiva em determinadas circunstâncias de falhas na segurança dos serviços prestados.

Se o ressarcimento administrativo for negado, as medidas cabíveis incluem:

– Registro de ocorrência por estelionato junto à Polícia Civil (presencial ou on-line).
– Abertura de reclamações em plataformas oficiais de defesa do consumidor, como o Procon ou o portal Consumidor.gov.br.
– Encaminhamento de denúncias formais à Corregedoria ou à Presidência do Conselho Federal de Medicina (CFM), caso o nome de profissionais médicos esteja sendo utilizado de forma indevida.

A conscientização da sociedade e a rápida comunicação dos incidentes continuam sendo as armas mais eficazes para neutralizar a atuação dessas redes criminosas e proteger a integridade de pacientes e familiares.

Allan Julianelli é gerente de TI da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro desde 1998 e policial civil do Estado do Rio de Janeiro desde 2002.

allan.julianelli@amperj.org