Os desafios do combate ao cybercrime, cada vez mais complexos com o avanço tecnológico, foram tema central de um congresso internacional que contou com a participação do promotor Fabrício Bastos, representante do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ). Especialista da Assessoria de Atribuição Originária em Matéria Criminal (AAESC), Bastos defendeu novas estratégias investigativas e métodos multifacetados de enfrentamento às organizações criminosas durante o painel “Non-conventional interventions in tackling cibercrime”, que mediou no 30º Congresso e Reunião Geral da International Association of Prosecutors (IAP), em Singapura.
A mesa reuniu também promotores da Holanda e do Japão, o que enriqueceu a troca de experiências e permitiu o compartilhamento de técnicas inovadoras para enfrentar a crescente sofisticação do crime organizado no ambiente digital. “A troca de conhecimento foi fundamental para ressaltar a urgência de intervenções não convencionais e de maior cooperação internacional”, destacou Bastos.
O debate evidenciou a necessidade de uma mudança profunda na forma de investigar e de estruturar a acusação em casos de crimes cibernéticos, já que os métodos tradicionais se mostram insuficientes diante de delitos caracterizados pela ausência de fronteiras, pela escala global e pela constante inovação tecnológica.
Entre os convidados da mesa estavam Esther Baars, Christa de Pagter, Maurice van der Stoel e Tetsuro Sumi. Outro ponto enfatizado foi que o combate ao cybercrime depende, cada vez mais, da cooperação entre países, do uso estratégico de inteligência para ações de disrupção e da adoção de medidas preventivas. “Os insights foram brilhantes, sobretudo porque forneceram um roteiro claro e prático para o futuro”, concluiu Bastos.