Notícia

80 anos da Amperj: A força feminina no Ministério Público

Inserido em 9 de junho de 2026
Compartilhamento

Do pioneirismo das primeiras integrantes à presença hoje em espaços de liderança, a participação feminina tornou-se um dos fios condutores da história da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj). Ao longo das décadas, a atuação das mulheres ajudou a transformar a associação, ampliando vozes, perspectivas e formas de atuação institucional. Nesse percurso, promotoras e procuradoras de Justiça tiveram papel decisivo na construção de um Ministério Público mais plural, em que o protagonismo feminino se afirma com o passar dos anos.

A história das mulheres no Ministério Público fluminense é marcada por resiliência. Em 1944, quando os espaços de poder eram majoritariamente masculinos, Amélia Duarte tornou-se a primeira promotora de Justiça do estado, pioneira de um movimento que cresceria nos anos seguintes. Ela chegaria ao cargo de procuradora de Justiça no então Distrito Federal, em 1958, ficando conhecida por desbravar o caminho das futuras gerações.

A Amperj foi palco de mudanças emblemáticas na participação feminina. Um dos marcos de representatividade foi a eleição de Assy Mirza Abranches, em 1988, a primeira mulher a presidir a entidade. Sua gestão simbolizou mudança e evidenciou uma liderança sensível às demandas da classe, aliada ao compromisso com a autonomia institucional. Desde então, a presença feminina deixou de ser exceção e se tornou um pilar de governança. Em 1992, Victoria Siqueiros Soares Le Cocq D’Oliveira foi eleita presidente.

Hoje, o perfil de gênero no Ministério Público do Rio de Janeiro reflete uma transformação profunda. Se nas primeiras décadas do século XX as mulheres eram raridade, o cenário atual revela presença crescente, especialmente entre os mais jovens. Dados do CNMP indicam que a representação feminina no MPRJ já ultrapassa 57% dos membros ativos.

Segundo a promotora Roberta Rosa, a representatividade feminina — sobretudo negra — no Ministério Público brasileiro é um imperativo democrático e constitucional que fortalece a defesa de direitos historicamente negligenciados. “Embora haja avanços, ainda persiste a sub-representação de mulheres negras, realidade também observada no Rio. O desafio é assegurar não apenas a presença feminina, mas a diversidade racial, para que o Ministério Público espelhe a sociedade que serve”, disse.

Leia esta e outras matérias na edição especial de 80 anos da Revista da Amperj.