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Entre milícias e facções: debate em congresso alertou para crise da segurança pública no Rio

Inserido em 24 de julho de 2025
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Durante um dos painéis mais comentados do Congresso Estadual do Ministério Público do Rio de Janeiro Pré-COP 30, em maio, o procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, e o jornalista e escritor Bruno Paes Manso debateram sobre o avanço do crime organizado no país. O foco foi a realidade cada vez mais preocupante da segurança pública, especialmente no Rio de Janeiro, onde a disputa entre facções e milícias tem se agravado. Autor de “A República das Milícias”, Paes Manso traçou um panorama histórico do crescimento das organizações criminosas no Brasil, destacando a transformação dessas redes em estruturas empresariais. Saiba mais sobre esse e outros temas de destaque na Revista da Amperj — já disponível para leitura!

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Segundo Bruno Paes Manso, a lógica do crime no Rio é uma combinação da série “Game of Thrones” e do jogo de tabuleiro “War”, com territórios disputados por grupos paramilitares que agem com “características aristocráticas”. Ele comparou a atuação das milícias e do tráfico à de “reinos” com suas próprias cores, bandeiras e chefes locais. “Parece que o Rio vive um período pré-moderno e feudal”, afirmou o jornalista. Já em São Paulo, de acordo com ele, o crime organizado assume uma  dinâmica mais centralizada.

Com vasta experiência em investigações, como a operação que levou à prisão de Castor de Andrade nos anos 1990, o PGJ Antonio José fez um alerta incisivo sobre a urgência de mudanças. Para ele, a segurança pública no Rio foi comprometida por decisões equivocadas e por uma judicialização excessiva da área. “O crime hoje é empresarial, interestadual e transnacional, e o Rio se tornou um laboratório onde a sociedade virou cobaia dessas políticas desastrosas”, destacou. 

Encerrando o painel, o procurador-geral defendeu que é preciso agir de imediato para impedir o avanço desse modelo de criminalidade que, segundo ele, ameaça diretamente a democracia. “Ou retomamos o Estado agora ou não haverá espaço para retomada”, alertou. A fala marcou um chamado aos promotores e à sociedade civil para enfrentar com seriedade um cenário que ele classificou como um verdadeiro retrocesso civilizatório.

Leia a Revista da Amperj nº 39, especial do Congresso Estadual do MPRJ.