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‘Milícias atuam de maneira similar às facções criminosas’ diz Fabio Corrêa no ‘Amperj Debates’

Inserido em 25 de junho de 2024
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Convidado do “Amperj Debates”, o promotor de Justiça Fábio Corrêa disse que as milícias e facções criminosas da Região Metropolitana do Rio vêm atuando cada vez mais de maneira similar. Segundo ele, no submundo do crime as organizações podem atuar como facções “como o Comando Vermelho, o Terceiro Comando e a ADA”,   como máfia, “que é o jogo do bicho” e como grupo paramilitar, caso das milícias.

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Do programa virtual, nesta segunda-feira (25), também participou o sociólogo e professor Daniel Hirata, da UFF (Universidade Federal Fluminense). Ele disse que as milícias estão em um processo de “expansão silenciosa” no Rio. O tema do “Amperj Debates” foi a ação das milícias. Para o promotor, hoje, “milícia e tráfico realizam mais ou menos as mesmas atividades”.

“As milícias, e aí o termo no plural mesmo, fazem parte de um ecossistema do submundo. Um submundo que é todo interligado e que conversa e dialoga entre si e também se digladia entre si o tempo todo. E o tempo todo busca também suas bases políticas e econômicas”, disse Corrêa.

Coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especializado de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o promotor contextualizou a evolução histórica das milícias, hoje transformadas em organizações que operam serviços essenciais nas comunidades.

“Em 2006, 9% da superfície territorial da Região Metropolitana era controlada por algum grupo armado. Em 2023, esse número aumentou para 20%”, destacou Hirata, que coordena o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni) da UFF.

De acordo com o professor, as milícias têm expandido suas atividades econômicas para além dos mercados ilegais tradicionais, entrando em setores formais. Elas controlam serviços como fornecimento de água, gás, internet e transporte alternativo. A diversificação é comparável às operações das máfias italianas e das tríades chinesas, que também atuam em mercados legais, o que demonstra, disse Hirata, a adaptação e a sofisticação no modelo de negócios das milícias.

O professor mencionou o conceito de macrocriminalidade ao se referir à capacidade das milícias de influenciar amplamente a economia e a política locais. O fenômeno é caracterizado pela penetração dos grupos criminosos em setores da economia legal, por meio de métodos coercitivos para monopolizar serviços.

“Estamos caminhando para uma macrocriminalidade,” disse.

Os convidados do “Amperj Dentes” enfatizaram a importância da colaboração entre o Ministério Público e a academia para entender e enfrentar a complexidade das milícias. 

“Precisamos de políticas públicas que realizem efetivamente a regulação desses mercados,” concluiu Hirata.