Por Roberta Pennafort e Natália Trotte
Em 2019, os irmãos Amanda e William Teitel realizaram juntos o sonho de ingressar no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Os pais, uma advogada e um juiz federal, viveram a emoção indizível de ter dois filhos aprovados num mesmo concurso. “Fazíamos prova juntos, estudávamos, tirávamos dúvidas, trocávamos dicas. Sempre fomos muito parceiros. O MP foi uma escolha que moldou minha vida e a da minha família. Hoje, sou colega das pessoas que eram meus professores até pouco tempo antes. Sou muito grata por tudo”, diz Amanda, que tem 29 anos e foi quem estimulou o irmão a seguir a carreira, após estagiar no MP.
Como a irmã, William, que tem 32 anos, preparou-se para as provas na Escola de Direito da Amperj. “Por mais que se estude com foco e empenho, as dúvidas e inseguranças sobre o futuro aparecem. Ter apoio de amigos e familiares é essencial”, ele conta, relembrando a alegria geral com o ingresso no MP. “A posse é um marco muito importante. É o sucesso do seu estudo. E logo no curso de formação somos apresentados à Amperj, que tem um papel relevante na construção do MP e no diálogo institucional”, afirma o promotor.
Mais de dois anos se passaram, e a turma do 35º concurso se mantém tão unida quanto determinada no cumprimento da missão afirmada no dia da posse. Egressos de universidades com cursos de Direito de excelência, como Uerj, UFRJ e PUC, os 45 jovens promotores trocam informações sobre o ofício, acompanham a evolução dos colegas, vibram com novas conquistas e acompanham o noticiário que envolve o MP e os grandes temas nacionais, trocando informações e opiniões num grupo de WhatsApp.
“Poder servir à sociedade foi o que me levou a querer ingressar, pelo fato de o MP ser uma instituição que tem a função de defender a ordem jurídica, o regime democrático e os interesses sociais e individuais indisponíveis”, destaca a colega Anna Carolina Brochini.
O mesmo motiva Yan Portes, aos 29 anos, que ainda se lembra da alta relação candidato/vaga do certame (foram cerca de quatro mil inscritos) – “muito mais difícil do que o vestibular para Direito”, ele aponta. “Antes do concurso, fui assessor do MP, e me encantei com o trabalho. Poder fazer o que é correto, em defesa da sociedade, sem estar sujeito aos detentores do poder, é muito estimulante”, diz Portes.

Cada um teve um grande incentivador na trajetória que apenas se inicia. Para Matheus Vieira Gomes, de 33 anos, este papel coube à avó Marly, que foi defensora pública. “Ela era, sem dúvidas, a minha maior incentivadora, tendo me dado os suportes cultural, financeiro e afetivo. O contato humano e a possibilidade de ser um instrumento de busca por melhores condições de vida para as pessoas sempre me fizeram enxergar sentido nas coisas.”
A experiência do concurso uniu o grupo de forma indelével, acreditam os promotores. Antes da pandemia da Covid-19 e o necessário isolamento social, eles tiveram tempo de se encontrar em reuniões, festas,
almoços e jantares. “É muito legal ver todo mundo evoluindo. São amigos que vou levar para a vida toda. Passamos pelas mesmas dificuldades, problemas e temos os mesmos anseios”, acredita Yan Portes.
O senso de responsabilidade também é compartilhado por todos. “Com a pandemia, vivemos um momento muito grave de crise econômica, e a sociedade tem os seus interesses mais básicos sendo vulnerabilizados. O Ministério Público precisa atuar em todas essas frentes”, aponta Anna Carolina Brochini, 36 anos.
Assim como os colegas, Fernanda Vieira Alteirado se sente realizada. “A sensação é de que nasci para isso. Estamos numa das instituições mais importantes do país. Temos liberdade para atuar”, diz a promotora de 31 anos. “Acompanhamos as tentativas de enfraquecer o MP, e isso mostra o quanto a nossa independência incomoda.”