A procuradora de Justiça Patrícia Carvão escreve quinzenalmente na newsletter da Amperj. O tema de sua coluna são filmes e séries nos cinemas e nas plataformas de streaming.
Acompanhe e aproveite as sugestões sempre qualificadas da cinéfila.
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Drama, mensagens, violência, golpes e diálogo
A primeira sugestão de hoje é o filme “Madre”, drama psicológico dirigido por Rodrigo Sorogoyen, disponível na plataforma Reserva Imovision.
Elena vive um drama com o desaparecimento do filho pequeno que estava na companhia do pai. Ela tenta seguir o curso da vida, mas com muita dificuldade.
Um dia, ela vê um adolescente (Jean) na praia do vilarejo onde mora e trabalha e acaba estabelecendo com ele uma relação cheia de sentimentos confusos. De alguma forma, Jean desperta em Elena um sentimento que a remete para o drama experimentado com a perda do filho. Não há por parte dela um desejo propriamente sexual pelo rapaz. Ela se sente bem simplesmente por estar perto dele. O que se observa, na verdade, é uma série de deslocamentos de afeto por parte de Elena em relação a Jean, o que acaba sendo mal compreendido pela família dele. Nem a própria Elena é capaz de compreender o laço que se estabelece entre ambos e em que lugar eles se conectam em suas faltas, em suas buscas.
O que se observará ao longo da narrativa é que, através do contato com Jean, Elena será capaz de trazer algum sentido à própria vida e ressignificar sua dor.
“Madre” é daqueles tipos de filme que conseguem nos fazer ver como somos complexos e como nossos sentimentos são difíceis de serem explicados.
Passo agora a falar do filme “Lunchbox”, disponível na Prime Vídeo com o nada atrativo título “A Lancheira”.
O filme nos traz a história de um homem metódico, com um trabalho e uma rotina entediantes, que certo dia recebe uma marmita trocada na hora do almoço.
A partir desse “equívoco” ele escreve um bilhete e o devolve, junto com a tal marmita, para a pessoa que preparou a refeição. Os dois começam a se comunicar através de bilhetes diários, com mensagens singelas que passam a fazer total sentido para cada um. A vida passa a ficar mais colorida, e o que a princípio parecia ter se tratado de um equívoco veio a ter um significado muito especial.
“Às vezes o trem errado leva para a estação certa” é uma frase do filme. Será que a marmita foi mesmo trocada ou, na verdade, aquele homem precisava de tudo aquilo para ressignificar sua vida? Sou apaixonada por “Lunchbox”! (disponível na MUBI e na Apple TV).
“Athena” é um filme francês muito forte, muito violento e muito bom.

Após a morte de um adolescente supostamente atribuída à polícia, uma verdadeira guerra civil acontece em toda a França, em represália ao ocorrido.
A polícia tenta cercar um conjunto habitacional (que dá nome ao filme) onde residia a vítima e também onde estariam os líderes do movimento.
A produção é grandiosa e prende a atenção até o minuto final. A direção é de Romain Gravas. O roteiro foi escrito por ele em conjunto com Ladj Ly, diretor do também maravilhoso filme francês “Les Miserables”.
“Athena” é daqueles filmes que fazem faltar o ar! Disponível na Netflix.
Sigo aqui com mais uma dica: “A Farsa” está disponível na Prime Video (também na Claro Vídeo, na Apple TV e no Google Play).
O filme é bem interessante. Traz a história de um casal jovem que se une para aplicar golpes.
Aproveitando-se ora da fragilidade emocional de uma atriz que envelhece, ora da vaidade de um homem maduro que fica lisonjeado em se sentir cortejado por uma mulher bem mais nova, o casal Adrien e Margot manipulará sentimentos e emoções até conseguir seus objetivos. Até onde essa ambição os levará?
Do mesmo diretor de “Monsieur & Madame Adelman” (2017 ) e “Belle Époque” ( 2019), Nicolas Bedos.
Termino as dicas de hoje com o título “A Última Sessão de Freud”, disponível em várias plataformas (NOW/NET, Claro Vídeo, Apple TV, Prime Video e Google Play).

O filme relata um possível encontro que teria acontecido em meados de 1939 entre o psicanalista Sigmund Freud, interpretado por Anthony Hopkins, e o escritor C.S. Lewis, interpretado por Matthew Goode.
Freud está no fim da vida, com a saúde bastante debilitada, e a 2ª Guerra Mundial é uma realidade. É nesse cenário desolador que ele recebe a visita de Lewis, homem extremamente religioso que busca compreender os mistérios da mente humana e o sentido da vida através da fé.
Dois homens inteligentes, com visões de mundo absolutamente diversas, que tentam apaixonadamente defender seus ideais.
O roteiro, escrito por Mark St. Germain, nos traz uma troca de ideias fascinante entre fé e ciência, razão e emoção. Freud confronta as crenças de Lewis, que, por sua vez, desafia as teorias psicanalíticas de Freud à luz da fé.
O filme nos instiga a refletir sobre nossas mais profundas convicções, ao mesmo tempo que aborda temas complexos, como o propósito da existência humana.