4.700 itens e 28 kits com eletrodomésticos contribuíram para reerguer as famílias atingidas.
por LARISSA COSTA
Em 15 de fevereiro, Petrópolis foi surpreendida com o volume de chuva esperado para o mês inteiro. O temporal deixou 234 vítimas fatais. Pouco mais de um mês depois, em 20 de março, a região foi atingida novamente, dessa vez pela maior chuva da história. Outras sete pessoas perderam suas vidas. Em um momento tão delicado de luto e tristeza, aqueles que sobreviveram precisavam de ajuda para se reerguer o quanto antes. Foi, então, que a Amperj, o Ministério Público e a Assemperj se uniram para arrecadar doações às vítimas.
Todas as contribuições foram feitas com recursos doados pelos associados. “A ajuda que os associados prestaram em Petrópolis foi preciosa. Por meio de uma parceria inédita entre Amperj, MPRJ e Assemperj foi possível desabrigar 28 famílias, bem como entregar centenas de itens essenciais para as vítimas dessa tragédia. A Amperj, como facilitadora desse processo, tem conseguido cumprir também esse papel e ajudar muita gente graças à solidariedade de nossos associados e amigos”, agradeceu o diretor financeiro da Amperj, Felipe Ribeiro.
A Amperj funcionou como braço operacional da campanha. A Associação fazia as aquisições dos itens necessários e entregava ao gabinete de crise, criado pelo MPRJ, que executava, de fato, a ação final. Ao mesmo tempo, esse gabinete trabalhava em conjunto com os promotores que atuavam diretamente na região.
A promotora Denise Tarin conta que no dia seguinte ao primeiro desastre já estava no epicentro da tragédia, nos quatro maiores abrigos montados, para saber qual era a necessidade das famílias. “O meu papel é a escuta da comunidade. O papel do Ministério Público é justamente o de empreender esforços no sentido do atendimento às pessoas afetadas, mas essa escuta é de suma importância porque são as pessoas que estão no território atingido que vão encaminhar as demandas de uma forma direta”, disse.
As doações foram pensadas para suprir essas demandas. Denise conta que “a campanha foi de suma importância para garantir o mínimo. Na logística humanitária, você tem que estar integrado com o que realmente se necessita”. Isso porque doações de água e cestas básicas não faltaram, mas alguns itens essenciais para as famílias não chegavam em quantidade suficiente, como, por exemplo, toalha, roupa de cama, chinelos e roupas íntimas. Para ela, “a campanha de doação da Amperj complementou as ações públicas, mas com um diferencial. O fluxo de doação estava diretamente ligado à comunicação com os abrigos e fez total diferença, pois podemos impactar onde realmente existia a necessidade”.
Primeiramente, a parceria permitiu a doação de 4.700 itens, entre roupas íntimas, toalhas de banho, lençóis, chinelos, lápis de cor, massa para modelar, livros para crianças e descartáveis (garfos, colheres, facas e pratos). As crianças também tiveram suas necessidades supridas, já que, diante do cenário vivido, tiveram seu lazer totalmente privado e limitado ao espaço do abrigo.
Já em um segundo momento, o foco da campanha passou a ser ajudar as famílias que conseguiram o aluguel social, mas que não tinham infraestrutura nas novas moradias. Para Gláucia Santana, que liderou o gabinete de crise do MPRJ, “essa campanha teve um olhar diferente do que se tem em tragédias”. Ela também conta que o apoio na logística de entrega dos donativos foi essencial. Os valores das doações dos associados, nesse momento, foram direcionados para a compra de kits com eletrodomésticos. Ao todo, foram 28 kits com geladeira, fogão, tanque e três camas para as novas moradias das famílias atingidas pela tragédia.
Para além de doações em momentos de crise, Petrópolis precisa de uma boa política habitacional, com moradias que sejam acessíveis para que a desordem não se espalhe e tragédias como essa não façam parte da vida dos moradores. A região de Petrópolis, devido à sua geomorfologia, é bastante suscetível a deslizamentos de terras. A promotora Zilda Januzzi afirma que o Ministério Público atua na conscientização e fiscalização das construções impróprias para evitar novas tragédias.
Ela conta que “é ponderada a necessidade de se fazer a regularização fundiária plena nas comunidades, de modo a não só trazer uma conformidade registral e entrega de títulos aos moradores”. Para Zilda, o mais importante é “levar para a comunidade as melhorias ambientais, sanitárias e urbanísticas, incluindo as contenções, drenagem, remoção de pessoas e realocação onde o risco não puder ser reduzido a níveis baixos e sua realocação definitiva”.
A cidade está devastada e muitas famílias ainda precisam de apoio para reconstruir suas vidas e retornar às suas rotinas. “O processo de ajuda continua aberto e, ao final, será feita uma prestação de contas”, explica Gláucia. A doação dos associados é de suma importância para que a Amperj continue ajudando as vítimas dessa catástrofe.
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