“Quando se fala em empoderamento feminino é a mulher se posicionar na família, no relacionamento, no trabalho e não permitir uma relação abusiva, se posicionando no mundo de uma forma igual aos homens”, disse a procuradora de Justiça Carla Araujo, coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO) do Ministério Público do Rio.
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Para a procuradora, ter uma data em homenagem à mulher, visando sempre a igualdade de oportunidades, é essencial para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
“Ter uma data é importante para dar luz a esse assunto. Estamos longe de ter uma igualdade entre homens e mulheres, lembrando que dentro do Ministério Público os salários são iguais, mas na iniciativa privada as mulheres ainda ficam com os salários menores, não alcançam cargos de chefia, de poder, então essa desigualdade existe”, destaca Carla.
De acordo com dados divulgados pelo CNMP no relatório “Cenários de Gênero”, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) tem a maior representatividade feminina (57,8%) no seu quadro de membros entre todos os MPs do país.
“É importante mencionar que no MPRJ temos mulheres na administração, nos cargos de chefia, na corregedoria. Temos mais mulheres na administração do que homens, têm mais promotoras do que promotores. O Ministério Público do Rio de Janeiro está atento à questão do gênero. Não é só ter mulheres na instituição, mas ter mulheres em cargos de chefia e isso o Ministério Público tem”, ressalta a coordenadora do CAO de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.
Vale ressaltar que o Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO Violência Doméstica/MPRJ) participa da rede de enfrentamento à violência doméstica fazendo uma articulação com Polícia Civil, Polícia Militar, Defensoria Pública, Poder Judiciário e serviços de saúde.
De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, no período de isolamento em 2020, mais de 61% das mulheres sofreram violência dentro de casa. Segundo a pesquisa, no período completo de isolamento, houve aumento do percentual de ocorrências de crimes mais graves em residência. Para violência física, o percentual aumentou de 60,1%, em 2019, para 64,1% em 2020. Para violência sexual, uma variação ainda maior: de 57,7%, em 2019, para 65,6% em 2020.
A procuradora Carla Araujo destaca que “tem ocorrido um aumento nas denúncias, não só pelo empoderamento da mulher, mas também porque os órgãos públicos estão se preocupando em oferecer ferramentas para que a mulher possa denunciar”. Como exemplo, ela cita o aplicativo Maria da Penha virtual, que já está funcionando na capital.
“Tem também em São Gonçalo e São João de Meriti e vai ser estendido, neste mês, para todo o estado do Rio. O aplicativo permite que a mulher sozinha, pelo telefone, possa solicitar sua medida protetiva, que vai direto para o juiz. Ferramentas como essa facilitam a denúncia e a proteção da mulher. O meio digital está cada vez mais evoluindo”, disse.
Denuncie!
Denúncias sobre violência doméstica, incluindo a psicológica, podem ser feitas pelo telefone 180, de forma anônima, e qualquer pessoa pode comunicar um caso de agressão.
Em caso de urgência, no momento em que a agressão está acontecendo, deve-se ligar para a Polícia Militar, no número 190, e o boletim de ocorrência deve ser feito em uma Delegacia de Polícia ou por formulário online.