Nem toda inovação começa com uma grande descoberta. Às vezes, surge quando alguém percebe que uma tarefa realizada há anos pode ser feita de maneira mais simples e efetiva. Essa é uma das reflexões do promotor de Justiça Leonardo Cuña de Souza, entrevistado por Heloísa Carpena no Amperj Convida desta semana. Na conversa, ele abordou as transformações digitais que chegam ao Ministério Público e a importância de preparar a instituição para uma nova realidade tecnológica.
Coordenador de Inovação junto à Secretaria de Modernização Tecnológica da Procuradoria-Geral de Justiça, Leonardo explicou que inovar vai além de ter boas ideias. É preciso transformá-las em soluções concretas. “A inovação é colocar essas ideias no papel e do papel para a prática”, afirmou. O processo pode envolver desde a revisão de procedimentos administrativos até o desenvolvimento de ferramentas para auxiliar a atividade finalística. Neste trabalho, o Laboratório de Inovação tem papel importante ao reunir profissionais e identificar oportunidades de melhoria dentro da própria instituição.
O avanço da inteligência artificial, por sua vez, traz possibilidades e responsabilidades. Embora essas ferramentas possam agilizar tarefas e facilitar a análise de informações, também estão sujeitas a erros e podem apresentar dados incorretos com aparência de verdade.
“A inteligência artificial não sabe nada: adivinha”. Por isso, o uso desses recursos exige avaliação crítica e acompanhamento permanente, especialmente no sistema de Justiça, em que decisões não podem ser simplesmente entregues às máquinas. “O ser humano tem que estar sempre no circuito”, ressaltou o promotor.
Leonardo destacou as iniciativas de letramento digital para diferentes áreas da instituição e a importância de formar profissionais capazes de compartilhar conhecimentos com os colegas. A experiência ao longo da carreira, segundo ele, pode contribuir para identificar limitações e avaliar melhor os resultados produzidos pela tecnologia. Em um cenário de transformações constantes, a inovação depende não apenas de novas ferramentas, mas também da disposição para aprender, trocar experiências e rever práticas. Como resumiu, “não sabemos para onde vamos”, o que torna ainda mais importante estar preparado para os desafios que vêm pela frente.
O episódio completo está disponível no Canal do Youtube do Amperj Convida e no Spotify.