O Outubro Rosa é um período de conscientização sobre a importância da prevenção e da detecção precoce do câncer de mama, mas é ainda um convite à reflexão sobre o cuidado com a saúde feminina.
Para a promotora de Justiça Isabela Jourdan, a campanha deve reforçar a necessidade de as mulheres se colocarem no centro do cuidado. “Historicamente, somos ensinadas a cuidar de todos e, muitas vezes, em meio à sobrecarga de responsabilidades, afetos e preocupações, deixamos nossa própria saúde para depois”, disse.
Segundo a promotora, o enfrentamento do câncer de mama exige atenção além da assistência médica. “O câncer de mama atinge a mulher em um lugar especialmente sensível, carregado de significados relacionados ao corpo e à própria identidade. Por isso, seu enfrentamento exige não apenas assistência médica qualificada, mas um olhar integral e uma perspectiva de gênero na saúde”, afirmou.
A reflexão evidencia a importância de considerar as particularidades da experiência feminina e de garantir que as mulheres tenham acesso à informação, à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento adequado.
Nesse contexto, Isabela ressalta a responsabilidade do Ministério Público na fiscalização das políticas públicas e na defesa dos direitos das mulheres. “O MP tem papel importante na fiscalização das políticas públicas e na garantia do acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento adequados e oportunos.” Segundo ela, incorporar a perspectiva de gênero à atuação na saúde significa reconhecer as barreiras específicas enfrentadas pelas mulheres e trabalhar para superá-las, contribuindo para que o atendimento seja acessível, digno e integral.
Neste Outubro Rosa, a mensagem da promotora é de incentivo ao autocuidado e de acolhimento às mulheres que enfrentam a doença. “Cuidar de si não é egoísmo. É estar viva para viver seus projetos, exercer seus direitos e desfrutar de seus afetos”, disse.
Às mulheres em tratamento, ela deixa uma mensagem de solidariedade: “Vocês não estão sozinhas”. Isabella reforça, ainda, que “garantir cuidado, dignidade e acesso à saúde é dever do Estado e compromisso do Ministério Público”. A campanha, assim, reafirma que cuidar da saúde também é exercer um direito e que nenhuma mulher deve enfrentar essa jornada sem assistência e acolhimento.