Três anos de histórias, experiências e reflexões sobre o Ministério Público. O Amperj Convida celebrou seu aniversário nesta segunda-feira (19) com uma edição especial ao vivo, que entrevistou o ex-procurador-geral de Justiça Antonio Carlos Biscaia, presidente da Amperj nos biênios 1983-1984, para relembrar momentos marcantes de sua trajetória. O programa foi conduzido pela apresentadora Heloisa Carpena e pelo diretor cultural da associação, Rogério Pacheco. O episódio já está disponível no canal do Amperj Convida.
Ao longo de sua trajetória, o podcast passou por transformações importantes. Inicialmente transmitido apenas em áudio, ganhou gravações em vídeo em parceria com a Rádio Roquette-Pinto, até alcançar a estrutura independente atual. A edição comemorativa marcou não só os três anos do projeto, mas também a consolidação de um espaço dedicado ao diálogo, à valorização das trajetórias profissionais e à memória institucional.
O auditório Everardo Moreira Lima ficou cheio e o público participou ativamente da conversa, com perguntas ao convidado. Os associados contribuíram para resgatar episódios de sua trajetória, casos marcantes e reflexões sobre a atuação do Ministério Público e sua importância para a sociedade.
“Hoje é um dia de festa, estamos aqui com esse episódio especial, comemorando os três anos do podcast. No início de 2023 nós começamos a gravar, fizemos nosso primeiro episódio com o presidente Cláudio Henrique Viana. É motivo de muita alegria pra mim poder partilhar hoje essa entrevista especial com meu querido amigo Rogério Pacheco e o nosso convidado, Dr. Antonio Carlos Biscaia, referência no Ministério Público do Rio de Janeiro”, destacou Heloísa Carpena na abertura.
Memórias e defesa da instituição
Aos 84 anos, Biscaia acumula uma trajetória que atravessa diferentes fases do Ministério Público fluminense, antes e depois da Constituição Federal de 1988. Durante a entrevista, relembrou episódios de sua atuação e a importância da mobilização institucional em momentos decisivos para a história da carreira.
Ao recordar a relação entre a associação e a defesa das prerrogativas institucionais, o ex-presidente da Amperj ressaltou: “Sempre procuramos a defesa da instituição por meio da nossa associação”.
Entre os casos mencionados, esteve a instalação de um inquérito policial para combater o jogo do bicho durante o período eleitoral para o governo do estado, quando Leonel Brizola era governador. A conversa também recuperou a “Vigília Institucional” de 1980 e outros episódios que marcaram a atuação de Biscaia e sua contribuição para o fortalecimento do Ministério Público.
A experiência acumulada ao longo de décadas permitiu ao convidado refletir sobre a transformação da instituição e sua configuração a partir da Constituição de 1988, que assegurou ao Ministério Público autonomia para cumprir suas atribuições.
“Eu estava contribuindo pela construção do Ministério Público que hoje está aí na Constituição de 1988, que é o que todos nós queremos, não como quarto poder, mas como uma posição de absoluta autonomia, que os procuradores-gerais têm cumprido”, afirmou.
Biscaia também destacou a importância do Poder Legislativo para o futuro do país e a responsabilidade dos representantes públicos na construção de instituições comprometidas com princípios democráticos.
“O Legislativo tem um papel essencial. Na minha visão, não vamos transformar esse país se não tivermos um Poder Legislativo comprometido com princípios e condutas”, disse.
Um conselho para as novas gerações
No encerramento da entrevista, Rogério Pacheco pediu a Biscaia uma mensagem para os jovens promotores de Justiça que ingressam na carreira. A resposta sintetizou sua visão sobre a responsabilidade pública inerente à função.
“Ao serem aprovados em um concurso rigorosíssimo, não pensem que arrumaram um bom emprego, pensem que alcançaram uma fatia de poder e que são responsáveis pela transformação política e institucional do nosso Brasil”, concluiu.
A edição especial reafirmou a proposta do Amperj Convida de aproximar gerações, compartilhar experiências e preservar a memória do Ministério Público. Ao reunir uma referência histórica da instituição e uma plateia participativa, o programa celebrou três anos de conversas que ajudam a compreender os desafios, as conquistas e as responsabilidades de quem atua em defesa da sociedade.











