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Membros do MPRJ encerram Rio Innovation Week com debates sobre racismo, acessibilidade e igualdade de gênero

Inserido em 7 de agosto de 2026
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Maior conferência de tecnologia e inovação da América Latina, o Rio Innovation Week concluiu sua programação com três painéis com membros do Ministério Público do Rio. Na quinta-feira (6), as promotoras Roberta Rosa e Bianca Mota integraram uma mesa sobre o papel das escolas no combate ao racismo, enquanto Viviane Alves e Cristiane Branquinho falaram, em outro espaço, sobre acessibilidade nos centros urbanos. A procuradora Elisa Fraga, na sexta-feira (7), debateu os desafios enfrentados por mulheres no serviço público.

A educação como antídoto ao racismo

Bianca e Roberta participaram do painel “Educar para transformar: histórias reais e o papel da escola no combate ao racismo”. Roberta dividiu com o público uma comovente reflexão pessoal, de quem, um dia, viu com desconfiança as políticas de cotas raciais, mas hoje as reconhece como essenciais. “Já existiu uma Roberta que habitou universidades em um período em que eu era minoria. Achei que estabelecer cotas para incluir as pessoas negras nesses ambientes fosse desmerecer nossa classe. Hoje, entendo que isso é mais que necessário”, contou.

O painel ampliou a discussão sobre a persistência do racismo na sociedade brasileira. Roberta defendeu a educação como caminho de transformação. “Eu percebo o racismo como um mecanismo sofisticado que, em vez de ser reduzido, vai se aprimorando. Precisamos disseminar uma compreensão de que o racismo precisa ser combatido. A educação é a possibilidade de emancipação do povo negro. Precisamos entender que a pobreza no Brasil tem cor, a desigualdade social tem cor, e nós só podemos combater isso com a educação e a ascensão do povo negro”, disse Roberta.

Ao término do painel, a promotora Bianca Mota deixou uma reflexão para o público, declamando versos de bell hooks: “Se quer saber quem eu sou, é só deixar de lado tudo aquilo que antes imaginou”.

Acessibilidade: uma lente para repensar as cidades

No mesmo dia, o painel “Incluir e inovar: acessibilidade, diversidade e o futuro das cidades”, mediado pela promotora Viviane Alves, trouxe a inclusão de pessoas com deficiência para o centro do debate urbano. “Incluir pessoas com deficiência significa incluir todas as pessoas na sociedade. Quando passamos a usar a lente da acessibilidade, nosso olhar sempre está direcionado à inclusão”, afirmou.

A promotora Cristiane Branquinho, que atua no MPRJ com essa temática desde 2008, também participou da mesa. “O MPRJ atua na tutela coletiva da pessoa com deficiência, com foco na superação de problemas estruturais, dialogando com os gestores e buscando proporcionar acessibilidade. Nossa atribuição é minorar esse cenário tão perturbador”, disse.

Mulheres no serviço público e os 20 anos da Lei Maria da Penha

Na tarde de sexta-feira (7), encerrando a participação de membros do Ministério Público no evento, a procuradora Elisa Fraga subiu ao palco para tratar de um tema que, segundo ela, atravessa toda a sociedade: a presença das mulheres em posições de liderança no funcionalismo público. O painel ganhou um significado especial por coincidir com os 20 anos da Lei Maria da Penha, um marco na luta contra a violência de gênero no país.

“É fundamental trazermos exemplos de mulheres que venceram as barreiras do preconceito e do machismo estrutural”, destacou Elisa, que falou no painel sobre a conquista de espaços por mulheres na hierarquia do serviço público.

Em sintonia com o tema, a promotora Leticia Emile, coordenadora do GAECO, destacou que “é muito importante que a mulher ocupe cargos de liderança nas instituições e que sejam as primeiras, mas não as únicas”.

A procuradora resumiu o objetivo da presença institucional no Rio Innovation Week. “Pudemos mostrar ao público e às instituições públicas e privadas as inovações implantadas no MPRJ para o desempenho de nossa função constitucional, que se reflete em diversas áreas: infância, meio ambiente, direitos humanos, saúde, educação e outras.”

Com painéis enriquecedores, que atravessaram raça, deficiência e gênero, o Ministério Público do Rio de Janeiro encerrou sua participação no Rio Innovation Week com o objetivo de ampliar o diálogo com a sociedade civil devidamente cumprido.