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Dia do Cinema Brasileiro: filmes, histórias e diferentes formas de olhar o mundo

Inserido em 19 de junho de 2026
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Nesta sexta-feira, 19 de junho, é Dia do Cinema Brasileiro. A data nos convida a olhar para a riqueza e a diversidade das nossas produções nacionais. O Brasil tem muitos títulos que merecem ser conhecidos, revisitados e valorizados — obras que, inclusive, têm conquistado reconhecimento internacional, com indicações e prêmios importantes.

Entre as produções mais recentes, destaco Oeste Outra Vez, que nos traz um pouco da cultura do sertão de Goiás, em que homens rudes e incapazes de lidar com suas próprias fragilidades multiplicam violências. Um filme muito interessante porque, ao mesmo tempo em que revela a cultura de um determinado lugar, também me parece dialogar com outra obra, Kasa Branca, que apresenta um Brasil completamente diferente, trazendo um pouco da realidade da periferia do Rio de Janeiro através do olhar de um adolescente negro que descobre que sua avó está na fase terminal da doença de Alzheimer. São filmes que nos fazem perceber a dimensão do nosso país, suas múltiplas realidades, seus diferentes modos de viver, de enfrentar conflitos e de construir relações.

O cinema tem essa potência: mostrar que o Brasil não é uma única narrativa. Somos muitos territórios, culturas e formas de existir. E essas diferenças, quando retratadas pelas telas, revelam uma riqueza cultural imensa. Existem muitos outros títulos que poderiam estar nessa lista, mas alguns filmes me marcaram profundamente.

Benzinho, dirigido por Gustavo Pizzi, por exemplo, é uma obra delicada e poderosa sobre os sentimentos contraditórios que atravessam a maternidade, especialmente quando os filhos começam a seguir seus próprios caminhos e surge aquela sensação de ninho vazio. É um filme sobre amor, despedidas e transformações.

Também destaco Marte Um, dirigido por Gabriel Martins, que, salvo engano, já mencionei em outra coluna. É um filme sobre sonhos, sobre a potência individual e sobre a importância de acreditar que nossos projetos podem encontrar caminhos, mesmo diante das dificuldades.

E há tantos outros! O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, que eu adoro; Abril Despedaçado, de Walter Salles; Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky, entre tantos filmes nacionais que nos atravessam e permanecem conosco. Essa é apenas uma pequena lembrança, uma seleção afetiva de obras que mostram a força do nosso cinema.

Mas o cinema também nos permite atravessar fronteiras e conhecer outras culturas, outras histórias e outras formas de compreender o mundo. Saindo um pouco do cinema brasileiro, assisti esta semana, no cinema, a um filme que merece uma indicação especial: O Bolo do Presidente. O filme foi escolhido pelo Iraque para representar o país na disputa pelo Oscar 2026 e é uma obra muito sensível.

Se até aqui falamos sobre a diversidade e a pluralidade do Brasil, essa produção nos leva a perceber também a diversidade do mundo, as diferenças culturais entre os países e a riqueza das diferentes formas de viver e enxergar a realidade. A narrativa, construída a partir do olhar infantil, aborda resiliência, inteligência emocional e perseverança. É um filme delicado, bonito e que permanece com a gente depois da sessão. Gostei muito e deixo aqui a minha recomendação!

Para finalizar as indicações para o fim de semana, deixo uma sugestão de série: Perdendo o Juízo, disponível na Netflix. Trata-se de um drama jurídico espanhol que acompanha a história de uma advogada que se vê diante de um grande desafio: defender a própria irmã, acusada de homicídio.

A trama segue uma linha de investigação e de tribunal, com elementos que costumam prender a atenção de quem gosta desse gênero. Mas o que torna a série ainda mais interessante é que ela não se limita ao universo jurídico. Ela também traz um olhar cuidadoso para a saúde mental, especialmente a partir da própria protagonista, que convive com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

É interessante ver uma produção abordar um sofrimento psíquico que faz parte da realidade de muitas pessoas e trazer essa dimensão humana para além do mistério e do julgamento. Para quem gosta de acompanhar uma história aos poucos, assistindo um episódio por dia, é uma produção que prende a atenção e vale a pena conhecer.

Por fim, seja no cinema brasileiro, em produções internacionais ou nas séries, o que essas histórias têm em comum é a capacidade de nos aproximar de outras realidades, provocar reflexões e lembrar que, apesar das diferenças culturais e das distâncias, existem sentimentos e experiências humanas que nos conectam.

Bom jogo da Seleção Brasileira e um excelente final de semana!