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Cinema, teatro e museus: Patricia Carvão dá dicas para curtir o feriadão

Inserido em 3 de junho de 2026
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Esta quarta-feira é véspera do feriado religioso de Corpus Christi. Temos alguns dias pela frente para aproveitar e descansar um pouco da rotina, cada um à sua maneira. Caso você goste de visitar espaços culturais, vale conferir os trabalhos de Vik Muniz expostos no CCBB sob o título “A Olho Nu”. Essa é a maior retrospectiva da carreira do artista até aqui, ampliada com cerca de 20 novos trabalhos — cinco deles totalmente inéditos, criados neste ano. O ingresso é gratuito e pode ser reservado pelo site do CCBB para evitar filas.

Saindo do Centro, temos no bairro do Cosme Velho outra opção de visita: a Casa Roberto Marinho. Sempre um programa ótimo! Atualmente, a exposição que está em cartaz se chama “O Tempo”, com obras do artista Waltercio Caldas. A mostra é suave e delicada, trazendo tranquilidade. Transcrevo uma frase sobre o tempo que achei linda: “O tempo é um labirinto de possibilidades simultâneas desdobrando-se, portanto, em múltiplos caminhos. Ao escolhê-los, definimos o que somos. Desse modo, não apenas estamos no tempo, mas também o constituímos.” (Jorge Luis Borges).

Gosta de teatro? Assisti à peça “Surda”, em cartaz no Teatro Poeira, em Botafogo. O texto original, de Júlia Spadaccini, é interpretado por Benedita Cazé e acompanha a trajetória de uma mulher que descobre estar passando por um processo progressivo de perda auditiva. Embora trate da deficiência, a peça não traz uma narrativa marcada pela tristeza ou pelo sofrimento. Ao contrário! Ela apresenta um olhar sensível, inteligente e inspirador sobre a experiência da surdez. Por meio das vivências da protagonista, o público é convidado a conhecer aspectos de um mundo quase invisível para quem não convive com essa realidade.

Um dos pontos mais interessantes do espetáculo é que Benedita Cazé, que interpreta a personagem principal, também é surda. Ela é uma surda oralizada e se comunica verbalmente com grande desenvoltura, o que acrescenta ainda mais potência e autenticidade à encenação.

A peça não coloca a pessoa com deficiência em uma posição de fragilidade ou de mera superação individual. Em vez disso, provoca uma reflexão sobre inclusão e pertencimento, evidenciando a necessidade de integração efetiva das pessoas com deficiência. Há um momento particularmente marcante em que a personagem questiona: “Com quantas pessoas surdas você estudou? Com quantas pessoas surdas você trabalha?”. A pergunta é simples, mas revela o quanto a exclusão ainda está presente em nosso cotidiano e como a convivência com pessoas com deficiência continua sendo limitada em muitos espaços.

A interpretação de Benedita Cazé está excelente. Sua presença cênica, aliada a um texto bem construído e a uma narrativa leve e bem-humorada, faz com que o espetáculo alcance um equilíbrio sutil entre entretenimento e reflexão. O roteiro é cuidadosamente costurado, alternando momentos divertidos, emocionantes e provocativos.
Por fim, caso a sua opção para este feriado seja apenas o streaming, trago algumas sugestões.

A primeira delas é o filme “Touch”, disponível na Netflix. Muitas vezes, diante de acontecimentos importantes da vida, buscamos explicações lógicas e racionais para compreender o que aconteceu. Porém, especialmente nas relações afetivas, nem sempre existe uma resposta clara. Um relacionamento envolve duas pessoas, duas subjetividades, duas formas diferentes de sentir e perceber o mundo. Por isso, alguns rompimentos acontecem por razões que talvez nunca sejam completamente compreendidas por uma das partes.

É justamente sobre essa tentativa de compreender o incompreensível que trata o filme. A narrativa acompanha a história de um homem que, já idoso, decide procurar um amor vivido na juventude. Esse relacionamento foi interrompido de maneira abrupta e sem explicações evidentes, deixando nele uma espécie de vazio, uma peça faltante em sua trajetória afetiva. Ao procurar essa mulher após muitos anos, ele tenta não apenas reencontrá-la, mas também encontrar sentido para aquilo que marcou profundamente sua vida.

O filme constrói essa busca de maneira delicada e intimista. Com um ritmo lento e contemplativo, a narrativa exige atenção do espectador aos silêncios, aos pequenos gestos e às emoções que atravessam os personagens. Não é uma obra centrada em grandes acontecimentos, mas nas memórias, nas ausências e nas perguntas que permanecem abertas ao longo do tempo. Apesar do ritmo vagaroso, “Touch” é um filme sensível e bonito.
Por fim, caso você seja, como eu, fã da série “Sessão de Terapia”, já pode aproveitar os episódios da nova temporada que estão sendo disponibilizados semanalmente no Globoplay. A cada sexta-feira, são lançados cinco novos episódios.

Mais uma vez, o terapeuta Caio se vê cercado por pacientes que lhe apresentam toda a complexidade do que significa ser humano. A série aborda questões bastante contemporâneas, como o envelhecimento dos pais, as dificuldades de lidar com o próprio envelhecimento e os desafios das relações interpessoais.

Entre os pacientes, destaca-se Ingrid, uma workaholic que apresenta grande dificuldade de se relacionar no ambiente de trabalho. Extremamente obsessiva, ela traz à tona reflexões sobre produtividade, controle e os impactos emocionais da vida profissional.

São personagens que representam dilemas muito presentes na sociedade atual e que ajudam o espectador a refletir sobre suas próprias vivências. Particularmente, considero a série extremamente interessante. Gosto muito do trabalho de Selton Mello, que mais uma vez entrega uma atuação sensível e convincente.

Bom descanso, bons passeios ou muita pipoca e sofá neste feriado! Afinal, como diz o ditado popular: “O que é de gosto regala a vida”.

Um abraço!