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Guia prático de blindagem digital

Inserido em 13 de abril de 2026
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Com o avanço das identidades sintéticas e da inteligência artificial generativa, medidas básicas de segurança no ambiente virtual, como não clicar em links suspeitos e alterar suas senhas constantemente, não são mais suficientes. A higiene digital nos dias atuais exige que você adote um novo comportamento para proteger seus dados pessoais. Confira este guia prático e saiba como.

1. Monitore o seu rastro de crédito
Como a identidade sintética usa dados reais (exemplo: CPF) misturados a dados falsos, você pode nem saber que uma conta foi aberta em seu nome até que o golpe final ocorra.

– Registrato (Banco Central): esta é a ferramenta mais importante no Brasil. Verifique mensalmente o relatório de “Empréstimos e Financiamentos” (SCR) e “Contas e Relacionamentos” (CCS). Se aparecer um banco onde você nunca abriu conta, sua identidade pode estar sendo usada de forma sintética ou estar envolvida em outra fraude.
– Alertas de Birôs de Crédito: Utilize serviços como o Serasa Antifraude ou Boa Vista, que enviam SMS ou notificações push toda vez que uma empresa consulta seu CPF ou que seu score oscila bruscamente.

2. Proteja os Dados de “invisíveis” (crianças e idosos)
Os alvos favoritos para identidades sintéticas são crianças e idosos, pois raramente solicitam crédito.

– CPF de menores: evite cadastrar o CPF de crianças em promoções de lojas, sorteios ou aplicativos de jogos não oficiais.
– Bloqueio de Benefícios: no caso de idosos, utilize o portal “Meu INSS” para bloquear a contratação de empréstimos consignados, reativando apenas quando necessário.

3. Pratique a “ofuscação comportamental”
A biometria comportamental protege você, mas você deve evitar dar atalhos para os criminosos.

– Use as ferramentas de autopreencher com moderação: softwares que preenchem formulários automaticamente facilitam a vida, mas também padronizam seu comportamento de digitação. Em sites menos conhecidos, digite manualmente.
– Troca de aparelhos: Ao vender ou doar um celular antigo, faça um “hard reset” (restauração de fábrica). Criminosos avançados tentam extrair perfis de uso de sensores (giroscópio e acelerômetro) de dispositivos mal apagados para tentar emular o jeito que você segura o telefone ou outras formas únicas de manipular o aparelho.

4. Checklist da identidade forte
Para que o sistema de biometria comportamental do seu banco aprenda corretamente quem é você, siga estas diretrizes:
– Mantenha o aplicativo atualizado: as atualizações de segurança trazem os novos sensores de comportamento.
– Evite o “acesso remoto”: nunca instale aplicativos como AnyDesk ou TeamViewer a pedido de supostos funcionários de suporte. Isso quebra toda a proteção comportamental, pois o criminoso assume o controle do seu padrão de uso.
– Use autenticação de múltiplos fatores não-SMS: O SMS é vulnerável ao SIM Swap. Prefira aplicativos autenticadores, como o Google Authenticator ou o Microsoft Authenticator, ou até mesmo chaves físicas (YubiKey, por exemplo).

Em resumo:
– Consulte o Registrato pelo menos uma vez por mês;
– Limpe os cookies do navegador semanalmente;
– Troque senhas críticas constantemente;
– Bloqueie consultas indesejadas impedindo que empresas verifiquem seu score sem aviso.

Allan Julianelli é gerente de TI da Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro desde 1998 e policial civil do Estado do Rio de Janeiro desde 2002. Contato: allan.julianelli@amperj.org