Estamos em uma boa temporada de filmes no cinema. Comento hoje sobre dois títulos que assisti nas telonas e gostei muito: Hamnet: A Vida Antes de Hamlet e Marty Supreme, estrelado por Timothée Chalamet e baseado na vida do campeão de tênis de mesa Marty Reisman.
Gostei muito de ambos, que fazem a ida ao cinema valer a pena! O mais recente em cartaz é Marty Supreme, um filme simplesmente eletrizante — talvez a melhor palavra para defini-lo. Não dá para piscar diante do ritmo acelerado da narrativa e dos diálogos, assim como das cenas e das imagens. O filme recebeu nove indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Timothée Chalamet, que conquistou um Globo de Ouro e um Critics’ Choice Award por sua performance.

A trama acompanha a jornada de Marty Mauser, um talentoso jogador de tênis de mesa e apostador, de personalidade difícil. Ele circula pelo competitivo universo do esporte, envolve-se em apostas clandestinas e luta para vencer apesar das inúmeras dificuldades enfrentadas. A seu favor estão o talento e uma impressionante lábia para conseguir o que deseja.
Não deixe também de assistir “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, adaptação do romance de Maggie O’Farrell, dirigida por Chloé Zhao. O filme explora a história de amor e perda da família de William Shakespeare, com foco na vida de sua esposa Agnes e na morte do filho Hamnet.
Trata-se de uma ficção que mistura fatos históricos. A narrativa se concentra em um período da vida de Shakespeare pouco documentado. Sabe-se que o dramaturgo foi casado com Anne Hathaway — que no filme recebe o nome de Agnes — e teve um filho chamado Hamnet, falecido aos 11 anos. O restante é fruto de imaginação. A autora constrói a obra a partir do luto de Shakespeare, que, em tese, teria inspirado a criação da tragédia atemporal Hamlet. O filme é intenso e emocionante e mostra, sobretudo, que o luto e a dor podem ser enfrentados de maneiras distintas, tendo na arte uma ferramenta potente.
No streaming, assisti à História de Amor em Copenhague (A Copenhagen Love Story ou Sult, no original), um drama romântico dinamarquês de 2025, disponível na Netflix. A história acompanha Mia, uma escritora de sucesso que se apaixona por Emil, pai de dois filhos. O relacionamento começa repleto de paixão, felicidade e cumplicidade, mas enfrenta um grande desafio quando o casal decide ter um filho juntos e descobre que Mia não consegue engravidar naturalmente. A partir daí, ambos enfrentam dificuldades na busca pelo filho desejado, incluindo tratamentos médicos e oscilações hormonais.

Sobre o mesmo tema, recomendo também o excelente Mais Uma Chance (2018), igualmente disponível na Netflix. Ambos os filmes abordam o luto e a frustração que podem atingir um casal quando os planos em comum não se alinham com a realidade. Será que o amor sobrevive diante de questões tão complexas? Como continuar a sonhar e planejar uma vida juntos?
História de Amor em Copenhague traz ainda um importante recorte de gênero, ao discutir como a vulnerabilidade feminina se manifesta com maior intensidade diante da maternidade desejada.
Por fim, sugiro Somente Uma Vez, disponível no Prime Video. O filme conta a história de Laura, uma psicóloga especializada no atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica. Ela passa a tratar um casal que, inicialmente, nega a agressão sofrida pela mulher, apesar de uma denúncia formal. À medida que a terapia avança, Laura analisa com mais clareza a dinâmica do relacionamento, enquanto enfrenta conflitos em sua própria vida pessoal, que acabam impactando diretamente seu trabalho. A obra evidencia como é difícil identificar abusos nas relações, levando muitas vítimas à negação e à tentativa de justificar o injustificável.

Bom final de semana e até a próxima coluna.