Nesta primeira coluna do ano de 2026, começo com a indicação da peça de teatro O Formigueiro (@oformigueiroteatro), em cartaz no Teatro Firjan Sesi Centro (Av. Graça Aranha, nº 1, @teatrofirjansesicentro). A peça fica em cartaz de 12 de janeiro até 4 de fevereiro, sempre de segunda a quarta-feira, às 19h (ingressos no Sympla ou na bilheteria do teatro).
Três irmãos se reencontram para um almoço em que será comemorado o aniversário da mãe, que tem Alzheimer. A figura materna aparece de forma simbólica, representada por uma cadeira de rodas vazia. A peça tem como foco principal as relações estabelecidas entre os irmãos: as mágoas, a divisão da tarefa de cuidado com a mãe, as frustrações e as alegrias da infância. Os diálogos são excelentes e oscilam entre dramaticidade e humor. O Formigueiro fala sobre uma família que poderia representar o núcleo familiar de qualquer um de nós. A partilha e a disputa do afeto parental, o convívio com as diferenças de temperamento entre os irmãos — tudo muito familiar. Recomendo muito, não deixe de assistir!

Vamos agora aos filmes. Início de ano é sempre uma data simbólica em que fazemos planos e delineamos metas. Por isso, é natural que algumas vezes sejamos atravessados por uma indagação: como poderia ter sido a vida se tivéssemos feito outras escolhas, diferentes das que fizemos? É muito razoável, nesta época do ano, refletir sobre como nossa rotina poderia ser diversa caso tivéssemos optado por outros caminhos.
Essa é a história do filme Como Seria se…?, de 2022, disponível na Netflix. Natalie faz um teste de gravidez e, a partir daí, o filme mostra como sua vida seria se o teste desse resultado positivo, ou como seria se o resultado fosse negativo. O longa trata com leveza temas importantes, como o cuidado com os filhos e a carreira. Com um roteiro bem costurado, é muito real perceber e refletir como a vida pode caminhar por destinos tão diferentes.

Outro filme que também traz essa reflexão é Um Homem de Família, do ano 2000, com Nicolas Cage no papel de Jack Campbell. Solteiro convicto, um dia Jack acorda em uma realidade totalmente diferente e experimenta, de forma concreta, como teria sido a sua vida se tivesse casado com Kate, sua namorada da época de faculdade. Disponível no Prime Video.
O que é possível concluir é que nenhuma realidade é melhor ou pior do que a outra. Cada escolha traz o seu desafio e carrega pontos positivos ou negativos. Resta-nos, então, desejar boas escolhas para o ano de 2026 e que, nas dificuldades, saibamos seguir em frente com coragem.

Por fim, trago uma série ótima para maratonar: All Her Fault, disponível no Prime Video. Está sendo muito comentada e indicada! Assisti e achei realmente ótima. Um suspense muito bem costurado, que nos deixa na dúvida praticamente até o capítulo final. A narrativa gira em torno de uma criança (Milo) que desaparece de forma misteriosa e da investigação policial que se inicia para desvendar esse desaparecimento.
Muitos personagens aparecem na trama. Marissa é a mãe de Milo, que deveria estar brincando na casa de Jacob, amiguinho da escola. Ocorre, porém, que, quando Marissa vai buscar o filho, não o encontra no local que supostamente seria a residência da família. O encontro das crianças havia sido combinado através de uma troca de mensagens de WhatsApp por um número que, em tese, pertenceria a Jenny (mãe de Jacob). A partir daí, culpa, desespero e muito mistério conduzem o roteiro.

O interessante também é como All Her Fault consegue dialogar sobre papéis de gênero na educação das crianças e sobre a eterna culpa que acompanha a maternidade. De maneira sutil, o roteiro vai demonstrando o absurdo de relacionamentos construídos sobre premissas insustentáveis e estereótipos que acabam por não se sustentar com o passar do tempo. A série tem oito episódios. Vale maratonar!
Com um pouco de atraso, mas nem por isso com menos intensidade, desejo um bom começo de ano para todos e todas!