Assisti ao filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho. Gostei de alguns aspectos da obra e, de outros, nem tanto. E você, já assistiu? Gostou?
O “Agente Secreto” não é um filme que deva ser visto de forma descompromissada ou apenas como entretenimento. Primeiro porque é longo (2h40). Por isso, segue a minha primeira sugestão para uma boa experiência: não vá ao cinema com sono ou com fome (evite a última sessão!). A segunda recomendação é ler um pouco sobre a proposta do diretor e se inteirar do roteiro e do enredo — vale especialmente conhecer a lenda urbana da Perna Cabeluda — para compreender melhor algumas metáforas presentes na narrativa.
De todo modo, vale conferir “O Agente Secreto”, escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional de 2026. Concorreram com ele muitos outros excelentes títulos, como “A Praia do Fim do Mundo”, “Baby”, “Kasa Branca”, “Malu”, “Manas”, “Milton Bituca Nascimento”, “O Último Azul”, “Oeste Outra Vez”, “Os Enforcados”, “Retrato de um Certo Oriente”, “Um Lobo entre os Cisnes”, “Vitória”, além de três filmes já disponíveis na Netflix: “O Filho de Mil Homens” (lindo!), “Homem com H” e “A Melhor Mãe do Mundo”.
Voltando ao filme “O Agente Secreto”, achei a cena inicial simplesmente sensacional. O filme mostra o Brasil como o país dos absurdos, algo que se repete em outros momentos da trama. Wagner Moura está — como sempre — excepcional, e torço muito para que seja indicado ao Oscar por sua atuação.
O roteiro, por vezes um pouco arrastado, é uma contribuição importante para a memória sobre ditadura na história brasileira. Vale prestar atenção também ao trabalho marcante de Dona Sebastiana, interpretada por Tania Maria, que traz a leveza e o equilíbrio de que a narrativa precisa.
Não saí do cinema apaixonada pelo filme — como aconteceu com “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2025. Ainda assim, não deixe de assistir a “O Agente Secreto” e prestigiar o cinema brasileiro.
Na Netflix, há outros trabalhos de Kleber Mendonça Filho: “Bacurau”, “Aquarius” e “Retratos Fantasmas”. Um dos filmes de direção de que mais gostei foi “O Som ao Redor” (Telecine). Achei excelente — recomendo!
Saindo do cinema nacional, sugiro o ótimo filme argentino “Homo Argentum”, coescrito e dirigido por Gastón Duprat e Mariano Cohn. O longa é formado por 16 histórias estreladas por Guillermo Francella, que exploram dilemas e contradições da sociedade argentina contemporânea. Para quem gosta do ator — conhecido pelas séries “Meu Querido Zelador” e “O Museu” (Disney Plus) —, é uma excelente oportunidade para dar boas risadas e apreciar uma comédia inteligente e sarcástica. Está em cartaz em poucos cinemas (Estação NET Rio, Estação NET Gávea e Reserva Cultural Niterói). Vale a ida ao cinema!
No streaming, indico ainda dois filmes que me impactaram bastante.
Belén — Uma História de Injustiça

Escolhido como representante oficial da Argentina para disputar uma vaga no Oscar de 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional, a produção narra a história de uma mulher que chega à emergência de um hospital com fortes dores abdominais e acaba sendo presa e acusada de ter feito um aborto.
O caso ganhou enorme repercussão e transformou-se em um movimento amplo, conectado ao debate nacional sobre direitos reprodutivos e à chamada Marea Verde, grupo ativista que se destacou na luta pela legalização do aborto seguro no país. O filme é baseado em uma história real.
Eden (Prime Video)

Encerrando as recomendações, Eden retrata a história verídica de um grupo de europeus que abandona a sociedade moderna para fundar uma colônia “utópica” em uma ilha remota — a Floreana Island, no arquipélago de Galápagos.
O casal protagonista, Dr. Friedrich Ritter (Jude Law) e Dora (Vanessa Kirby), inicia a jornada com ideais elevados, mas a convivência, as tensões e as ambições logo colocam o “paraíso” à prova, revelando o que há de pior na natureza humana.
Entre os demais personagens, destaca-se a “baronesa”, interpretada por Ana de Armas, figura glamourosa e controversa que chega à ilha com planos de construir um hotel de luxo. Empregados, parceiros de colônia e outras famílias completam o cenário, cada qual com suas motivações e fragilidades.
Achei o filme interessante por retratar os desafios da convivência humana, que se intensificam conforme as personalidades e necessidades de cada indivíduo entram em conflito — e com a natureza ao redor.
Disponível no Prime Video.
Bom fim de semana!