O promotor de Justiça Pedro Mourão, coordenador pedagógico da Escola de Direito da Amperj, fez uma análise crítica sobre o uso da inteligência artificial no sistema de Justiça em entrevista no podcast “Amperj Convida”. Especialista na área de tecnologia, ele abordou os limites e riscos envolvidos no uso de ferramentas de IA num ambiente que já enfrenta problemas como alta demanda e sobrecarga estrutural.
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Segundo Mourão, embora a automação — especialmente de linguagem — seja uma aliada poderosa, sua aplicação no Judiciário exige cautela. “A automação é uma grande ferramenta, e sempre foi, mas quando aplicamos isso a um sistema de justiça massivamente sobrecarregado, com operadores já muito pressionados pela gestão da demanda, precisamos considerar dois grandes vetores de risco”, afirmou.
O promotor explicou que o primeiro risco é o uso de grandes volumes de dados do passado para prever decisões jurídicas, o que pode reforçar padrões problemáticos e enviesados. O segundo, de acordo com ele, é a possibilidade de se esbarrar em limitações de raciocínio. “O campo da inteligência artificial ainda é muito recente, e temos que ter cautela ao aplicá-lo em decisões tão sensíveis”, acrescentou.
A entrevista de Mourão reforça a importância de se adotar novas tecnologias com responsabilidade, critérios claros e supervisão adequada. O grande desafio é garantir que a incorporação da tecnologia seja ética, consciente e dentro dos limites do aceitável no devido processo legal.
O episódio está disponível no YouTube e nos principais tocadores de podcast. Ouça!