Por Patricia Carvão
A dica número um da coluna de hoje vai para a chegada do ótimo “Homem com H”, uma cinebiografia de Ney Matogrosso, à Netflix. Dirigido por Esmir Filho, o filme estreou nos cinemas em 1º de maio deste ano e já acumula mais de 600 mil espectadores. A atuação de Jesuíta Barbosa como Ney é de fato excelente, e a trilha sonora do filme traz sucessos como “Rosa de Hiroshima”, “Sangue Latino” e “Homem com H”, canção que dá título ao filme. A produção é imperdível para quem admira esse grande artista brasileiro. Aliás, o cantor da vida real fará um show em setembro, no festival Doce Maravilha, na Arena Jockey — uma oportunidade ímpar de apreciar seu talento ao vivo e a cores.
Bom, caso “Homem com H” não faça muito seu estilo, sugiro alguns filmes mais recentes — outros nem tanto — para curtir no feriadão. Todos estão disponíveis no streaming e têm uma temática em comum: suas narrativas trazem como pano de fundo o período da Segunda Guerra Mundial.
Começo com “Anne”, disponível no Prime. O filme é baseado na história real da fotógrafa americana Lee Miller, uma modelo que se tornou uma importante correspondente de guerra para a revista Vogue durante a Segunda Guerra Mundial. Sua determinação permitiu que ela chegasse a lugares antes vedados ao universo feminino. A sensibilidade do olhar e o talento de Lee revelaram ao mundo os horrores da guerra, ao dar visibilidade e rosto às vítimas do conflito, principalmente nos campos de concentração nazistas. Também através de suas fotos, Lee deu visibilidade à contribuição das mulheres nesse período da história, ressaltando o seu papel social em postos de relevo.
Também no Prime, sugiro “Pássaro Branco — Uma História de Extraordinário”. A narrativa é bem costurada e prende a atenção. Julian Albans é um garoto com problemas na escola. Sua avó Sara (interpretada por Helen Mirren) decide contar ao rapaz sua história de vida para que ele possa refletir um pouco sobre si mesmo. Em plena Segunda Guerra Mundial, quando era menina, da mesma idade do neto, precisou enfrentar os horrores do conflito. Ela conta ao neto as suas dificuldades enquanto judia em uma Alemanha ocupada pelos nazistas e como sobreviveu ao holocausto quando um aluno que não conhecia direito arriscou tudo para dar a ela e a seus pais a chance de sobreviver à guerra e aos guardas da SS.
“O fotógrafo de Mauthausen”, de 2018, está em cartaz na Netflix. O longa-metragem conta a história de um prisioneiro espanhol detido no campo de concentração nazista de Mauthausen, na Áustria. Por conta de seu talento como fotógrafo, ele conseguiu sobreviver aos horrores cotidianos. Além disso, conseguiu preservar uma série de negativos que posteriormente serviram para mostrar ao mundo as atrocidades ali praticadas. Ao final do filme, aparecem várias fotografias que mostram cenas que foram reproduzidas de forma bem fidedigna no filme. A preservação da história através das imagens torna mais impactante a narrativa sobre a realidade do nazismo. O registro do olhar pela câmera concretiza e materializa para sempre o que poderia se perder com palavras.
Finalizo com o longa-metragem “A Resistência”, também disponível na Netflix, que nos apresenta a história de integrantes da resistência francesa e sua luta para salvar crianças judias durante a perseguição nazista. A narrativa tem foco sobre Marcel Marceau, um ator francês considerado o melhor mímico do mundo. Acima de tudo, o filme traz mensagens que fazem todo sentido para mim, em particular. Primeiro, sobre a importância da arte como instrumento de resgate da beleza do mundo, do humano, do amor e de nossos afetos mais profundos, mesmo nos momentos mais duros. Segundo, a busca por algum significado em nossa existência, tentando direcioná-la para algo maior. O diálogo entre Marcel Marceau e Emma numa determinada parte do filme é muito inspirador. Marcel tenta convencer Emma de que mais importante do que odiar os nazistas seria direcionar todas as suas energias para salvar crianças judias, que poderiam no futuro ter filhos e perpetuar suas existências. Essa seria a melhor “vitória” sobre o nazismo.
Bom feriado!