O promotor de Justiça Bruno Gangoni foi um dos palestrantes do Seminário de Apresentação e Discussão da Nova Política Nacional de Segurança Institucional do Poder Judiciário, organizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, na semana passada. Com o tema “Milícias — 25 Anos do Rio de Janeiro para o Brasil”, Gangoni fez um apanhado histórico da atuação dos grupos paramilitares no estado e analisou os dados mais recentes sobre a expansão do fenômeno pelo país.
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No início da exposição, Gangoni apresentou um panorama do problema que teve origem nos grupos de extermínio na Baixada Fluminense, como Scuderie Le Cocq e Polícia Mineira — ambos tinham em suas bases um discurso de conter o avanço do tráfico de drogas nas comunidades. Segundo o promotor, foi nessa época embrionária que vários líderes das milícias se elegeram vereadores no Rio de Janeiro.
O promotor também fez uma análise das mudanças ocorridas nas milícias da Zona Oeste ao longo dos últimos 25 anos, da Liga da Justiça até os dias atuais. Também apresentou dados sobre a expansão territorial das milícias, destacando as discrepâncias na quantidade de operações policiais que acontecem em áreas dominadas pelo tráfico e nos territórios de milícias. Por fim, ele ainda falou sobre o avanço dessa organização criminosa por todo o país, com destaque para os estados do Nordeste.
Para Gangoni, as milícias atuais são muito mais complexas do que aquelas observadas 25 anos atrás. “As milícias de 2025 possuem características bastante distintas daquelas da virada dos anos 2000, seja nas atividades que exploram, seja na estratégia para obter cargos eletivos. No início, as milícias não admitiam a venda de drogas em seus territórios, tinha agentes das forças de segurança no comando e seus líderes se lançavam candidatos nas eleições. Isso aconteceu na Zona Oeste — em Rio das Pedras, Gardênia Azul e Praça Seca, por exemplo. Atualmente, além de também explorarem o comércio de drogas e não terem policiais no topo da hierarquia da organização criminosamente, ‘laranjas’ vêm se lançando a cargos eletivos no lugar dos líderes das milícias. Nas últimas eleições, tivemos avanços importantes na jurisprudência do TRE/RJ e do TSE, que barraram candidaturas de pessoas relacionadas à milícia com fundamento no princípio da moralidade — ou seja, mesmo que a pessoa não esteja objetivamente enquadrada na inelegibilidade prevista no art. 1º, I “e” da LC 64/90, os tribunais barraram as candidaturas de candidatos de Belford Roxo, Nova Iguaçu e Niterói, por exemplo, que eram réus em processos cujas imputações tinham relação com as milícias”, pontuou.
Bruno Gangoni é promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e possui vasta experiência na investigação das milícias, tendo atuado como coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado). Na associação, ele participou do episódio “Contravenção 2.0 — Do talão às apostas online” do Amperj Debates, em setembro de 2024, e do podcast “Amperj Convida”, em novembro de 2023.