Esta quarta-feira (13) marca os 22 anos da posse dos aprovados no 22º Concurso para Ingresso na Classe Inicial da Carreira do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Um dos integrantes da turma, o promotor de Justiça Felipe Cuesta falou ao site da Amperj sobre a emoção que sente ao olhar a fotografia oficial da cerimônia, e rememorar aquele 13 de maio.
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Cuesta lembra que a turma de 1999, formada por 41 empossados, era muito jovem, idealista e unida. “Havia respeito e admiração entre os integrantes. Tivemos algumas baixas na trajetória, seja pela saída de pessoas para outras carreiras, seja pelas aposentadorias precoces. A maioria dos colegas ainda mantém contato, embora, naturalmente, os encontros sejam bem menos frequentes do que no começo”, conta.
“Vendo a foto, a gente sente como se estivesse revivendo o dia em que entrou na instituição. Todos os sonhos e expectativas são revisitados. Surgem as reflexões quando nos defrontamos com frustrações inevitáveis, alegria pelas vitórias obtidas e a esperança renovada por novos desafios”, diz ainda.
O 13 de maio de 1999 virou, naturalmente, um marco na trajetória profissional de cada um. Para aqueles que têm o desejo de ingressar no MP, Cuesta destaca os desafios da profissão: “A carreira, infelizmente, vem perdendo certa atratividade nos últimos tempos, em virtude de múltiplos fatores. Principalmente, os frequentes ataques externos, e também a supressão paulatina de certas vantagens e prerrogativas. Mas ainda assim, reserva muitos desafios e boas perspectivas para aqueles dispostos a ingressar”, ressalta Cuesta, que enviou uma mensagem aos companheiros da posse de 1999, reproduzida abaixo.
Leia na íntegra a mensagem do promotor Felipe Cuesta para os colegas em celebração aos 22 anos da posse:
“O que mais me aflige nesta data de hoje, ao pensar nesses 22 anos, é a velocidade indecente da passagem do tempo. Parece que a posse foi há dois meses, de tão vívidas e presentes que estão as sensações, e a nitidez das lembranças pregressas. Éramos jovens e idealistas, cheios de sonhos e expectativas. O tempo, acredito, se encarregou de nos fazer melhores, mais calmos, resilientes e experientes. Se já não temos a mesma força física, nem o viço do colágeno em nossas peles, ou mesmo o ímpeto de outrora, colhemos ao menos os louros de uma maturidade serena, adquirida não sem algumas necessárias doses de sofrimento e de adversidade. Faz parte da vida.
Termino confessando um receio. Projetar mentalmente mais 22 anos pra frente me põe acelerado no túnel do tempo inclemente, com quase 70 anos. E, devo admitir, pensar nisso dá uma inquietante impressão de finitude, sensação que ingenuamente nos era alheia no momento mágico em que foi capturada a bela imagem acima compartilhada. Trata-se de uma sensação que contempla uma miríade de emoções díspares. Para atenuar essa angústia, fica a certeza de que vivemos intensamente cada um de nossos dias e fizemos o melhor dentre o que nos foi possível. Parabéns a todos. Saúde e paz.”