A promotora de Justiça Eyleen Marenco deu entrevista esta semana para o RJTV – 2ª edição, da TV Globo, e o jornalista Chico Otávio, da Super Rádio Tupi, sobre o medo que impede muitas mulheres de denunciar casos de violência doméstica. Ela destacou a importância de as vítimas registrarem queixa policial ao primeiro sinal de agressão e buscarem ajuda na rede de apoio e atendimento. Alertou ainda que o silêncio é uma das principais barreiras para enfrentar a violência contra a mulher e que a denúncia é um passo essencial para interromper o ciclo de abusos.
Na reportagem do RJTV, a promotora explicou que a autopercepção do medo é o fator determinante para o deferimento das medidas protetivas. Segundo Eyleen, há estudos mostrando que, antes de decidir pelo registro de ocorrência, a vítima já enfrentou episódios anteriores de violência em silêncio, o que encoraja o agressor a escalar em grau. “Via de regra, as mulheres têm muito medo de tomar uma atitude. Tanto é que os estudos mostram que, quando uma mulher faz o registro formal de ocorrência, já houve pelo menos 35 episódios anteriores de violência contra ela, razão pela qual seu relato merece crédito das instituições. Na dúvida a gente tem que proteger”, pontuou.
Eyleen Marenco destacou que atualmente existem diversos canais de apoio às mulheres vítimas de violência, que podem, inclusive, evitar a necessidade de comparecimento à delegacia, fazendo o pedido de medidas protetivas pelos aplicativos diretamente ou o registro de ocorrência para DEAM Digital, através de celular ou computador. A promotora ressaltou ainda que denunciar não é apenas um passo individual, mas também uma forma de romper o ciclo de violência e dar visibilidade a um problema que atinge milhares de mulheres.
Ela chamou atenção para o fato de que, na maioria dos casos, o agressor é alguém próximo da vítima e que tem alta probabilidade de cometer o crime de forma recorrente. “Normalmente, o sujeito que agride sua companheira, namorada ou parceira já fez isso antes e provavelmente fará novamente. Quando a mulher denuncia, ela dá voz não apenas à violência que sofreu, mas também à violência que tantas outras mulheres enfrentam e o estado tem o dever de proteção integral”, afirmou.
Eyleen Marenco afirmou ainda que o medo, longe de paralisar as vítimas, deve ser compreendido como um importante indicador de risco. “Se essa mulher tem medo do companheiro ou do ex-companheiro — que, via de regra, são os grandes agressores —, ela deve procurar medidas de proteção”, orientou. De acordo com a promotora, denúncias também têm o efeito de encorajar outras vítimas a buscar ajuda e fortalecem a rede de enfrentamento da violência contra a mulher.