Por Patricia Carvão
Chegamos ao final do ano, sempre um momento de fazer um balanço acerca do que foi realizado, sobre o que gostaríamos de ter feito e sobre o que de fato conseguimos fazer. Uma época inevitável de muitas reflexões. Também é uma época de encontros, de troca de afetos. Por isso, pensei em alguns filmes que possam inspirar bons pensamentos para essa época de fechamento de ciclos.
A procuradora de Justiça Patricia Carvão escreve uma coluna quinzenal na newsletter da Amperj, comentando filmes e séries aos quais assiste nos cinemas e plataformas de streaming. Conheça suas sugestões para o fim de semana!
A Maratona de Brittany (2019)

O filme nos traz a história de Brittany, personagem que dá nome ao filme, e é baseado em uma história real de superação, bem interessante para acompanhar! Brittany tem uma vida nada estimulante e um trabalho que não traz nenhuma motivação. Vive sem ter um propósito. Além de tudo isso, ela está vários quilos acima de seu peso ideal, o que ainda agrava seu quadro de descontentamento e baixa autoestima. Todo esse cenário repercute também em sua vida amorosa, que vai de mal a pior.
Brittany não consegue sair do lugar e vive focada no que falta, no passado, sempre escondida atrás de um corpo que não lhe agrada. Até o dia em que, inspirada pelos hábitos esportivos de uma vizinha, a qual via sempre correndo e se exercitando pelas ruas do bairro, resolve também tentar sair do lugar e começar a correr, precisando para isso vencer todas as suas barreiras, como a gordura excessiva, a falta de roupas adequadas para a prática de corrida, a falta de fôlego, o imobilismo. Sente-se ridícula e desmotivada no início. Mas persiste e decide que a sua próxima meta é tentar correr a Maratona de Nova York — e seus 42 km. Será que ela é capaz?
O filme fala sobre como é possível ter coragem e força de vontade para vencer os próprios medos e lançar-se rumo ao novo, na busca por melhores caminhos. Olhar para a própria vulnerabilidade e para a necessidade de mudança é dar um passo importante, muitas vezes fundamental. O que ficou para trás já passou. Muito mais corajoso é aquele que prefere não ser um mero espectador da própria vida, mas sim o protagonista de sua história, arriscando-se, inclusive, a ser imperfeito.
O filme é ótimo! Super alto astral.
Disponível na Prime Video.
Pequena Miss Sunshine (2006)
Você provavelmente já assistiu a esse filme. Mas por que não revê-lo?
Ele traz a história de uma família (bem eclética), que se une com o objetivo de permitir a participação da caçula, Olive, no concurso mirim de beleza chamado Miss Sunshine. Como não havia disponibilidade financeira no orçamento familiar para custear o transporte até o local do evento, surge a opção de realizar o trajeto no veículo antigo da família, uma Kombi.
Como, porém, seria possível essa viagem, com a reunião da família toda naquele veículo, tendo em vista o fato de que todos ali atravessavam momentos tão difíceis de suas histórias individuais?
Frank, o tio materno de Olive, acabara de tentar o suicídio, e não poderia ficar sozinho em hipótese alguma. O irmão de Olive, Dwayne, um adolescente introspectivo e problemático, não fala (por sua própria vontade) e só se comunica com a família através de bilhetes escritos. O avô paterno Edwin, apesar da idade, é viciado em drogas e reside com o filho. Richard, o pai, por sua vez, é um empreendedor cheio de sonhos, que apesar de ter um programa chamado “9 passos”, cujo objetivo é levar qualquer um ao sucesso, não consegue aplicá-lo à própria vida pessoal. Por fim, a mãe completa o desenho daquela família, tentando dar conta de tudo, sempre respeitando o jeito de ser de cada um, com carinho e amor, sem julgamentos.
De forma ácida e irônica, o filme apresenta uma família bem peculiar, excêntrica, mas que permanece unida pelo afeto, apesar de todas as adversidades possíveis. A família não precisa ser perfeita para acolher, para funcionar. Há muitas maneiras diferentes de ser uma família.
Além dessa mensagem, o filme mostra como cada componente daquele núcleo familiar, dentro de sua individualidade, de sua experiência de vida, é capaz de contribuir para o crescimento emocional do outro, desconstruindo padrões e crenças que apenas traziam sofrimento.
Vivemos em uma sociedade cheia de estereótipos, de mitos, de verdades absolutas. Mas o que significa na verdade ser um vencedor ou um perdedor? Há também um momento de muita troca, que acontece entre Frank e o sobrinho adolescente, que lhe confidencia que às vezes tem vontade de dormir para pular as coisas ruins da vida. Frank, professor de literatura, com especialidade em Proust, diz ao sobrinho que certa vez o escritor olhou para trás e concluiu que os anos mais sofridos foram os melhores da vida, pois tornaram-no quem ele era.
Lembrei-me também, ao ver este trecho do filme, de um conto que li no livro “Os Contos Como Terapia” (Instituto Girassol do Brasil). O conto, cujo título é “Fátima, a fiandeira”, narra a história de uma mulher e de todas as adversidades que ela passou em sua vida. A história é concluída com a seguinte reflexão: “Através de suas aventuras, Fátima compreendeu que aquilo que parecera, em determinado momento, uma experiência desagradável, tornara-se essencial na construção de sua felicidade.”
Não pense que o filme Miss Sunshine é triste! Ao contrário, ele passa todas essas mensagens — e muitas outras — de forma bem divertida! Uma aventura familiar inesquecível.
Disponível no Disney Plus e outras plataformas.
Questão de Tempo (2013)

Uma comédia romântica sobre a história de Tim, que descobre no seu aniversário de 21 anos que os homens de sua família têm a capacidade de poder viajar no tempo. Ele decide usar esse poder para tentar conquistar Mary, mas vai acabar descobrindo que mudar o passado talvez não seja lá tão bom como ele chegou a prever.
Não deixe de assistir, você vai gostar! O filme é leve e mistura humor, reflexões sobre a vida e um pouco de romance.
Disponível na Prime Video, no Globoplay e em outras plataformas.
Bom final de ano para todos os que me leem por aqui. Muita saúde e que saibamos equilibrar os desafios e as incertezas da vida. Como diz o poeta Manoel de Barros, “o tempo só anda de ida”.
Seguimos juntos!