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‘Amperj Convida’: Raquel Dodge reflete sobre igualdade de gênero e presença feminina no MP

Inserido em 11 de junho de 2025
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A subprocuradora-geral da República Raquel Dodge falou sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na Justiça brasileira em entrevista ao podcast “Amperj Convida”. Em bate-papo com a apresentadora Heloisa Carpena gravado durante o Congresso Pré-COP 30 no Rio de Janeiro, ela destacou a importância de iniciativas institucionais voltadas à igualdade de gênero e criticou as barreiras visíveis e invisíveis que perduram na estrutura do poder público. Dodge foi a primeira e, até hoje, a única mulher a ocupar a chefia da Procuradoria-Geral da República, entre 2017 e 2019.

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“As barreiras de gênero acontecem ou são perceptíveis sempre que a gente encontra dificuldade de avançar em uma agenda ou executar uma prescrição legal que favorece a igualdade dentro da sociedade civil”, afirmou a jurista. Ela também lamentou os altos índices de violência contra a mulher, que persistem apesar dos avanços legislativos. “As mulheres na sociedade brasileira têm vivido esse paradoxo. Há muitos avanços e uma atuação da Justiça que parece favorecê-las e protegê-las. No entanto, o número de feminicídios, estupros e crimes de violência sexual, psicológica e patrimonial aumenta todo os dias. Não é uma situação que aflige apenas as mulheres menos favorecidas; acontece na sociedade inteira.”

Durante a entrevista, Dodge também abordou sua atuação em iniciativas que promovem  o debate público sobre temas sensíveis, como a violência sexual. Um exemplo citado foi a exibição da peça teatral “Prima Facie” em Brasília, seguida de um debate com a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal. A encenação, que mostra a transformação de uma advogada após um episódio de violência, teve forte repercussão no meio jurídico e contribuiu para aprofundar a discussão sobre a revitimização das mulheres. Para a subprocuradora-geral da República, promover o diálogo e a escuta é essencial para compreender onde estão os entraves e buscar avanços. 

Raquel Dodge também abordou a questão da presença feminina no Ministério Público — na instituição fluminense, as mulheres são maioria. Ela destacou que, apesar disso, ainda há obstáculos para a ocupação de espaços de poder por promotoras e procuradoras de Justiça. Segundo ela, há um longo caminho a ser percorrido e, por isso, é fundamental abraçar as oportunidades para refletir sobre os desafios, fortalecendo os compromissos institucionais com a igualdade de gênero. 

Ouça a íntegra do episódio!